Salvar a Petrobras


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Sou da geração que cresceu ouvindo que a Petrobras é do povo brasileiro, a grande alavanca para o desenvolvimento do país sem depender dos fornecedores internacionais de combustíveis. Isso, tomamos como verdade absoluta, independente de que se comprovasse essa verdade. 
 
Agora, acabamos de ver comprovado, no balanço da companhia, roubo de R$ 6 bilhões escorridos nos esquemas de corrupção e outros R$ 15 bilhões drenados pela incompetência e megalomania de governos que a pilotaram e incúria de muitos de seus dirigentes e altos funcionários. Sinto-me escandalosamente roubado! 
 
A mola mestra da economia nacional está enfraquecida porque foi saqueada e vitimada por operadores de risco que desenvolveram projetos inviáveis e políticas insustentáveis com o objetivo nítido de sustentar uma política governamental ufanista que, bem analisada, não tinha do que se ufanar. Produziu-se a fantasia do Brasil auto-suficiente em petróleo, falou-se maravilhas do pré-sal, construiu-se no Recife a refinaria que interessava, isto sim, à Venezuela então governada pelo tresloucado ‘compañero’ Hugo Chávez e, nas grandes obras, manteve-se o esquema da propina, destinado, entre outras coisas, a comprar apoio parlamentar ao governo. 
 
O momento é de luto nacional. Todos os brasileiros são vítimas da escandalosa gestão de risco da Petrobras. A Operação Lava Jato, pilotada pelo juiz Sérgio Moro, é apenas uma lanterna dentro da imensa escuridão moral que se abateu sobre os negócios públicos, políticos e a sociedade. Infelizmente, o Congresso Nacional, grande fórum que poderia atuar no deslinde do malfadado esquema de lesa-pátria, está combalido pelo envolvimento de parte de seus membros nos crimes e inconformidades a apurar. Oxalá, mesmo assim, ainda tenha condições de apurar os malfeitos, apontar os malfeitores e salvar o Brasil sem que isso venha a causar a quebra da tão decantada e hoje vilipendiada democracia. Salvar a Petrobras (e o Brasil), é preciso...
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
 

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