‘Quem rouba milhões mata milhões’


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O procurador da República em Franca, Wesley Miranda, atua no Ministério Público Federal desde 2012. Começou a carreira em Rondônia e já teve a oportunidade de trabalhar no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal, José Antônio Dias Toffoli.
 
Aos 34 anos, faz parte do grupo de procuradores que defendem mudanças na legislação e na mentalidade do povo brasileiro e punir de forma rápida quem desvia dinheiro público. Ele fala sobre o momento político enfrentado pelo País.
 
Na sua opinião, qual o caminho para combater a corrupção no Brasil? 
As causas da corrupção são diversificadas. Infelizmente, no Brasil ainda existe uma cultura de tolerância à corrupção. As pessoas enxergam esse crime como algo normal. A ação do Ministério Público no combate à corrupção é apenas uma das vias para acabar com a prática. Mas só ela não é suficiente. Por isso, estamos apresentando 10 propostas de mudança legislativa centradas principalmente na prevenção e transparência, rapidez e eficiência e efetividade das punições. 
 
Mas já há leis no país que deveriam punir a corrupção. Por que tais mudanças fariam diferença?
Porque vêm corrigir muitos erros. Com a legislação existente, em alguns casos, podemos dizer que a corrupção compensa porque as penas previstas são pequenas e geram a sensação de impunidade. Nossa proposta, por exemplo, corrige isso aumentando as punições. Também queremos que os condenados cumpram efetivamente a pena de prisão. 
 
E o senhor acredita que é possível acabar com a corrupção no Brasil?
Não será da noite para o dia. Temos que vencer essa cultura de que a corrupção é normal. As pessoas precisam entender que quem rouba milhões mata milhões, como disse meu colega Deltan Dallagnol, que comanda a Operação Lava Jato. Isso porque rouba dinheiro público que poderia ser investido na saúde, na educação.

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