Poucos dias após os assaltos a duas filiais das Lojas Cem e do Magazine Luiza no Centro de Franca, o clima é de apreensão e receio. Os comerciantes da região têm, a cada dia, adotado medidas de segurança para ao menos tentar desencorajar a ação de ladrões. Alarmes, câmeras, dispositivos antifurto e seguranças são algumas das soluções encontradas pelos lojistas.
Proprietária das lojas A Caprichosa e Santa Filó, a empresária Marisa Accari Ferreira trabalha há 30 anos no ramo e está assustada com a violência e a onda de furtos e roubos. Ela, inclusive, gasta com aparelhos de segurança e já deu instruções para as funcionárias de uma das lojas trabalharem de portas fechadas para evitar delitos. “Por ano, gasto R$ 15 mil com aparelhos, manutenção e seguro. Temos alarme, monitoria e câmeras, mas nem sempre é o suficiente.” Marisa acredita que, um dia, os comerciantes trabalharão trancados ou até mesmo adotarão novas formas de vender. “Chegará o momento em que não poderemos trabalhar de portas abertas. Talvez tudo seja comprado online, por questões de segurança e medo de ser roubado”, afirmou a empresária.
Como forma de ajudar os comerciantes associados, a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) dá treinamentos para que os lojistas saibam as medidas adequadas de segurança. Segundo o presidente da associação, José Alexandre Carmo Jorge, o policiamento na região ajuda, mas não pode ser o único mecanismo de defesa. “Buscamos instruir nossos associados para que façam uma venda segura e falamos sobre as medidas adequadas. Qualquer descuido pode culminar na ação de bandidos. Os lojistas devem se prevenir e, se precisarem, podem buscar apoio junto à Acif.”
Mecanismo de defesa
“Insegurança, apreensão, temor.” Estas foram as palavras utilizadas por Jeane Cristina Nogueira, funcionária da rede de lojas Garagem Modas, para definir o que sente diante de situações como a ocorrida na semana passada. “Eles reinventam as formas de cometer o crime. Nunca passamos por um período assim, com tanto furto e roubo ao nosso redor”, disse. As dez lojas da Garagem, de acordo com Jeane, já foram alvos de furtos, mesmo com dispositivos, seguranças, câmera e grades.
Embora o medo faça parte do cotidiano, ele se intensifica quando casos como o das Lojas Cem e Magazine Luiza acontecem. Para a gerente da loja Torra-Torra, Nadir Rodrigues, além do aumento na criminalidade, os bandidos estão mais ousados. “Eles não se preocupam se estão roubando ou furtando uma loja de pequeno ou grande porte. É isso que dá medo. A frieza com que colocam objetos nas sacolas ou nas bolsas é de se impressionar, e não importa a faixa etária”, relatou. A loja nunca enfrentou uma situação de roubo, mas se previne, realizando mensalmente treinamentos sobre prevenção e perdas e oferece suporte psicológico para os colaboradores.
A Polícia Militar informou que tem vigiado o Centro. “Por meio de planejamento e análise dos índices criminais, a PM faz o policiamento preventivo e ostensivo na região do Centro.” Em nota, destaca os programas de Radiopatrulha, Força Tática, Ronda Escolar, Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas) e Policiamento Comunitário, além de enfatizar o trabalho feito no Centro. “Prendemos 176 pessoas, recuperamos 51 veículos furtados ou roubados e apreendemos quatro armas de fogo na região.”
Respostas e buscas
De acordo com o delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Márcio Murari, a Polícia Civil já tem um suspeito do crime cometido na loja do Magazine Luiza e descartou que os estabelecimentos tenham sido roubados pela mesma pessoa. “Acreditamos, por conta das imagens, que não seja a mesma pessoa. Nós e os investigadores estamos apurando”, comentou. A DIG tenta esclarecer os casos em conjunto com a equipe do 1º Distrito Policial. Os agentes já trabalhavam na investigação de outro roubo à mesma loja do Magazine Luiza, no dia 9 de março, quando R$ 6 mil foram levados.
Em plena hora do almoço do último dia 16, com um intervalo de dez minutos cada, os roubos ocorridos às lojas Cem e Magazine Luiza despertaram o medo em comerciantes locais. Na Lojas Cem, o marginal rendeu uma operadora de caixa e roubou cerca de R$ 650 em dinheiro. No assalto ao Magazine do calçadão, outro bandido rendeu dois operadores de caixas, ameaçando-os de morte com uma arma de fogo. Ele fugiu calmamente com R$ 5,4 mil em espécie.
Por meio de sua assessoria de imprensa e da gerência, as lojas assaltadas admitem que novas medidas de segurança poderão ser implantadas, mas não divulgaram qual será a mudança para evitar roubos e delitos.
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