A ação violenta da quadrilha que invadiu a sede do GCN na madrugada de terça-feira, 21, ocorreu quando 20 funcionários da gráfica e do encarte ainda estavam no prédio trabalhando na impressão do jornal daquele dia.
Segundo Robson Vieira, encarregado do parque gráfico, a equipe iniciava a impressão da capa quando aconteceu a explosão. “O estouro foi muito forte e também teve uma vibração. De imediato pensamos no caixa eletrônico e corremos em direção ao estacionamento”, disse.
Do local, o funcionário avistou o porteiro sendo rendido por um dos bandidos e retornou para dentro do prédio, de onde avisou a Polícia e a diretora administrativa do GCN, Dulce Xavier. “Nessa hora, a Redação estava encoberta pela fumaça da pólvora e da poeira do gesso”, lembrou Vieira, que nesse momento já havia suspendido a impressão, certo da mudança da capa da edição do dia.
De casa, Dulce atendeu o celular sem saber quem ligava e não acreditou ao ser informada da explosão do caixa. “Estava dormindo e, quando tocou o telefone, o número não era conhecido. Pensei que fosse brincadeira, mas o Robson estava desesperado e logo perguntei se tinha vítimas.”
Após algumas tentativas, Dulce conseguiu avisar o diretor-executivo do GCN, Corrêa Neves Júnior e seguiu em direção ao prédio no Jardim Ângela Rosa. “Quando passei em frente já vi a polícia e os escombros. Nunca tinha imaginado aquela cena. Fiquei transtornada, muito chocada, mas ao mesmo tempo aliviada por saber que, apesar daquela grande violência, ninguém havia se ferido.”
Para Júnior, a situação em que ficou o balcão de Classificados onde estava o caixa eletrônico do Banco do Brasil remetia a um cenário de guerra. “O susto foi grande, mas nossa determinação é maior. O importante é jamais recuar diante da violência, nem se acostumar a ela”, disse o jornalista que, na hora, determinou que a notícia da explosão fosse publicada ainda na edição do Comércio do dia. “Era ponto de honra fazer com que o jornal fosse publicado no mesmo dia com todos os detalhes da explosão, bem como manter rádio e portal operando normalmente. Conseguimos, graça ao empenho de uma equipe brilhante. Agora, é seguir em frente, sempre com garra, coragem e determinação.”
Responsável pelo balcão de Classificados, Gisele Vieira, disse ter ficado desolada ao ver a situação que ficou o local em que trabalhava. “Aqui é nossa segunda casa e tudo estava destruído. Não consegui achar sequer a foto do meu filho.”
Após o trabalho da polícia, a perícia do seguro também esteve no prédio e liberou a área para reforma, que deve começar em breve. No intuito de não comprometer o atendimento ao público, no mesmo dia funcionários trabalharam para colocar o balcão de anúncios em operação, que provisoriamente está funcionando no auditório “Jornalista Corrêa Neves” dentro do prédio do GCN.
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