Sábado, 28 de março, período da manhã. Pelo menos 600 servidores lotaram o Teatro “Judas Iscariotes” e decidiram cruzar os braços em protesto pela forma com que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) conduziu as negociações salariais neste ano. O projeto do Executivo aprovado pela Câmara em regime de urgência e que fixou a correção sem que as conversas entre as partes tivessem sido encerradas revoltou a categoria e foi o estopim para a paralisação. A greve completa um mês nesta terça-feira sem que haja um sinal de acordo. Trinta dias depois, a queda de braço entre governo e sindicato não tem vencedores. Enquanto o impasse permanece, a população também sofre com a falta de atendimento nos serviços públicos.
Enquanto prefeito e servidores não chegam a um consenso, o povo paga pela falta de funcionários no atendimento médico e ensino municipal. Aulas paradas, pronto-socorro lotado, crianças sem vacina e consultas médicas sem previsão de agendamento. “A situação está complicada. Eu tinha retorno marcado, fui na UBS no dia marcado e nada de médico. Os servidores estão no direito deles, têm que reivindicar mesmo, mas o prefeito tem que tomar uma atitude e melhorar para eles para a gente não passar por essas dificuldades”, disse a dona de casa Elizabete Gomes Celestino, moradora do Leporace.
Como as UBSs atendem parcialmente, os pacientes se concentram no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. O fluxo no local cresceu em pelo menos 200 pessoas por dia durante a greve. Em média, são 1,2 mil atendimentos diariamente. A combinação mais gente, menos funcionários superlota a unidade. Apenas casos urgentes são socorridos com rapidez. Para atendimentos ambulatoriais, a espera se estende por horas.
Lucimeire Hakime, moradora do Jardim Paulistano, foi ao PS na manhã de sexta-feira. Ao ver o tamanho da fila, desistiu. “Não tem condições. Está muito lotado. São muitas horas de espera e, normalmente, a gente já sabe o que vai acontecer: eles vão ter dar um soro e analgésico. Eu prefiro voltar para casa com dores e me virar com os medicamentos que tenho”.
Atendimento
O presidente do Sindicato dos Servidores, Fernando Nascimento, disse que está cumprindo o que determina a lei de greve e mantendo os serviços essenciais e o mínimo de 30% de atendimento exigidos. “É importante que a população saiba que a culpa não é nossa. Sempre estivemos abertos ao diálogo e reduzimos valores da nossa proposta. O único culpado pelo o que está acontecendo é o prefeito, que nos desrespeitou e atropelou as negociações”.
Ele se refere ao fato de Alexandre Ferreira ter enviado o projeto para a Câmara e corrigido o salário dos servidores com base no índice da inflação, 7,68%, e fixado o vale alimentação em R$ 260. A categoria briga por um vale de R$ 400 (inicialmente reivindicavam R$ 550).
Revoltados com a conivência da Câmara, os trabalhadores fizeram no plenário o velório e enterro simbólico dos vereadores nos protestos organizados durante a greve. “Eles nos traíram”, disse Nascimento. Na tentativa de amenizar as críticas pela atitude que tomaram, os parlamentares aprovaram dois requerimentos pedindo que o prefeito reabrisse as negociações. Ambos foram ignorados por Alexandre. Ele afirma que chegou ao seu limite e se recusa a negociar.
No dia 15 de abril, O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) negou o pedido da Prefeitura para que a greve do servidores fosse decretada abusiva e ilegal. O julgamento do dissídio coletivo continua sendo analisado pelos desembargadores e ainda não tem data.
Na sexta-feira, os servidores fizeram nova assembleia e decidiram continuar parados até que a Justiça do Trabalho se manifeste. A categoria voltará a protestar diante da Prefeitura nesta segunda-feira.
Espera
O longo tempo da greve tem deixado os servidores apreensivos. Eles temem que o prefeito desconte os dias parados. O advogado do sindicato, Denilson Carvalho, diz que a Prefeitura pode sofrer processo por reparação de danos se fizer o desconto antes de um posicionamento definitivo do TRT. “Se a greve for julgada legal, o Tribunal decidirá se os dias serão abonados, repostos ou descontados”, disse ele.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.