E tudo volta a se repetir


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Todo ano é a mesma coisa: a cada chuva mais forte, várias regiões da cidade (principalmente as próximas aos córregos) sofrem com alagamentos e prejuízos causados a residências e veículos. O problema se arrasta há décadas e tem se intensificado nos últimos tempos, em que pese todo o dinheiro enterrado em obras que nunca são definitivas e nem conseguem deter o avanço das águas, o que deixa a população francana em pânico a cada temporal, ainda mais quando inesperado como o da última quinta-feira.
 
A chuva repentina que caiu sobre a cidade no início daquela tarde assustou e gerou cenas que chegaram a impressionar, nas imagens captadas pelos fotógrafos do Comércio e por celulares, replicadas no Portal GCN e por redes sociais. Como aponta reportagem publicada na nossa edição de ontem, a enxurrada deixou rastros de destruição, arrastou carros, provocou a abertura de uma cratera de cerca de cinco metros de comprimento, alagou pontos críticos da cidade e comprometeu o funcionamento, inclusive, de setores do Franca Shopping. E foram apenas 30 minutos.
 
Ontem, francanos, entre eles muitos comerciantes, ainda promoviam a limpeza de lojas, casas e veículos, contabilizando grandes prejuízos. Diversas administrações municipais, pelo menos nas três últimas décadas, promoveram uma série de alargamentos das calhas dos córregos dos Bagres e Cubatão, sem que conseguissem qualquer resultado positivo. A ocupação urbana desordenada é uma das causas deste tormento que os francanos sofrem a cada ano, mas a falta de ações efetivas também provoca o caos que se viu anteontem.
 
A impermeabilização do solo no entorno dos cursos d’água que cortam a cidade, provocada pela pavimentação de ruas e avenidas, e as construções ao longo das vias, inclusive as adjacentes, são o que motiva o alagamento. As águas se reúnem nos dois córregos, que também recebem o despejo da rede de esgoto, e por não encontrarem vazão suficiente, criam uma situação irreversível. No final, os prejuízos explodem no bolso do contribuinte -- seja para cobrir os estragos em seus bens, seja para financiar obras que não resolvem.
 
Todo o dinheiro já gasto com alargamento e aprofundamento das calhas dos córregos — e chegam a quantias altíssimas, nas últimas três décadas — foi praticamente jogado fora, uma vez que uma nova solução terá que ser encontrada e implantada a alto custo. Para se chegar a uma solução definitiva, é necessária uma vontade política que, pelo que vemos, nossos administradores não demonstram ter. Usam aquela velha máxima de que “obra enterrada não dá votos”. O bem estar do cidadão-contribuinte-eleitor deve ser colocado em primeiro plano, motivação que não se percebe em nossos entes públicos nessa e em outras questões tão caras a todos nós. Franca não merece mais ficar à mercê das chuvas como tem acontecido nos últimos anos. E muito menos os que moram e produzem aqui sofrer prejuízos pontuais, que podem ser evitados.
 
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