Juca da Floresta, meu avô brasileiro, chamava-se José Joaquim Pires de Andrade. Era um caboclo alto, moreno, forte, cordial, conciliador e de uma honestidade à toda prova. Era um excelente administrador de fazendas. Naqueles tempos, as fazendas constituíam-se em verdadeiros povoados e o administrador acabava exercendo as funções de prefeito, juiz, promotor, delegado e sacerdote. À época em que ele administrava uma fazenda da região (não me lembro se Monte Belo ou Restinga), Juca teve de apartar uma briga entre colonos. A briga foi violenta e sangrenta tanto que o colono mais agressivo e violento atacou e feriu a vitima com uma facada.
Bibico era seu irmão mais novo. Além dele havia o Sebastião, também administrador de fazendas. Bibico auxiliava Juca nas funções administrativas. Era um homem baixinho, nervoso, positivo, rígido, mas de caráter respeitável e inquestionável. Bibico, que havia presenciado a briga, foi logo falando ao seu irmão:
— Mata Juca, mata este traste que vem criando problema desde quando ele veio para cá.
Juca, com muita calma, ponderou ao irmão:
— Não posso e nem devo, Bibico. Este homem tem mulher e uma penca de filhos. Quem irá cuidar deles?
Bibico, enfiando o revólver no coldre, acatou a ponderação do irmão mais velho.
O autor da facada foi entregue à polícia de Franca. Após cumprir a sua pena, ele voltou para a fazenda. Nesse mesmo dia, Juca mandou colocar sua mudança num carroção e acompanhou o colono delinquente até os limites da fazenda. Nesse ponto, Juca tirou da cintura um Schimit-45 e falou para o briguento:
— Agora você toma seu rumo e nunca mais apareça por estas bandas. Caso contrário, você vai sentir o calor de uma 45.
Ao que consta, o colono inoportuno nunca mais deu as caras naquela região e Juca Pires continuou administrando a fazenda com muita tranquilidade e eficiência.
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.