DIG prende empresário com 16 mil metros de couro furtado


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Trabalhador descarrega caminhão que levou produtos furtados encontrados em barracão para a sede da DIG, no Centro, ontem. Couro encontrado está avaliado em R$ 800 mil
Trabalhador descarrega caminhão que levou produtos furtados encontrados em barracão para a sede da DIG, no Centro, ontem. Couro encontrado está avaliado em R$ 800 mil
O empresário Edilson de Castro, 52, o “Véio”, dono da fábrica de calçados Castro, localizada no Bairro Santa Terezinha, foi preso em flagrante por agentes da DIG de Franca e acusado de receptação. Ele foi surpreendido com cerca de 16 mil metros de couro que foram furtados de, pelo menos, oito empresas da cidade nos últimos meses. O produto está avaliado em R$ 800 mil e seria suficiente para fazer mais de 60 mil pares de calçado.
 
E isto não é tudo. Além do carregamento de couro, os policiais também apreenderam no barracão e na casa do acusado mais de 50 metros de pisos, diversos vasos sanitários, latas de tinta, compressores, dezenas de pares de calçados, oito bombas de pulverização e máquinas de solda, entre outros produtos. O material também foi furtado de lojas de Franca. Foram necessários dois caminhões e quatro “chapas” para transportar os materiais até a sede da DIG. “A grande quantidade de objetos encontrados deixou a todos os policiais e vítimas perplexos. Não temos a menor dúvida de que ele é o maior receptador preso até hoje em Franca”, afirmou o delegado Márcio Garcia Murari.
 
“Véio” pagava de R$ 10 a R$ 16 pelo metro de couro. O produto custa no mercado de R$ 53 a R$ 60 dependendo da classificação. O empresário vinha sendo monitorado há pelo menos três meses. 
 
 
Durante as investigações, feitas principalmente por grampos telefônicos, os policiais descobriram que a fábrica dele era o local em que uma quadrilha formada por quatro ladrões desovava tudo o que furtava. O alvo era couro, mas os criminosos não perdiam a viagem. Levavam tudo o que encontravam de valor pela frente. “O Véio tinha pleno conhecimento da origem ilícita de toda a mercadoria que comprava. Ele confirmou que não exigia nota fiscal. Qualquer empresário que se preze, tem que saber a origem do produto que entra em seu estabelecimento”, disse o delegado Murari.
 
“Véio” foi autuado em flagrante por receptação qualificada e recolhido ao CDP. Os quatro criminosos que eram os responsáveis por invadir as fábricas e subtrair os produtos foram identificados e indiciados por furto e formação de quadrilha. Segundo a Polícia Civil, o líder seria RS. Ele agia em companhia de JRSN, MMS e LER. Como não foram pegos em flagrante, em princípio, vão responder em liberdade. “Vamos encaminhar o inquérito à Justiça para que seja decretada a prisão preventiva de todos os envolvidos. A quadrilha não é a responsável pela totalidade, mas pela maioria do furtos de couro que vinha acontecendo em Franca”, concluiu o delegado Murari. 
 
O empresário Renato Mule, dono de uma empresa no Paulistano, foi uma das vítimas da quadrilha. No dia 28 de março, os ladrões invadiram sua fábrica e levaram cerca de 850 metros de couro. Ele conseguiu recuperar toda a carga, que estava escondida na empresa de “Véio”. “O que me deixa mais feliz, não é recuperar o dano material e, sim, recuperar a confiança na polícia, saber que nem tudo está perdido. Os investigadores da DIG foram muito profissionais e fizeram um grande trabalho”, falou.

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