Brasil, o país do escárnio


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Fatos recentes comprovam a constatação de que o Brasil não é um país sério -- frase atribuída, mas não dita pelo general francês Charles de Gaulle na década de 70 do século passado. E, pior, este é o país do escárnio, onde existem duas classes distintas: o cidadão, ao qual são exigidos todos os sacrifícios, e o político, que não se preocupa com as mazelas vividas pela maioria de nossa população e busca vantagens e benefícios que, em um país sério, simplesmente não existiriam.
 
Pois não é que a presidente Dilma Rousseff sancionou na última segunda-feira, 20, o Orçamento Geral da União de 2015, aprovando o aumento do fundo partidário de R$ 327 milhões para R$ 867,5 milhões? Pois é. A triplicação do dinheiro destinado aos partidos políticos brasileiros, em meio a uma crise de desemprego, reajustes de preços administrados (combustíveis, energia elétrica e água, que refletem nos demais valores pagos por consumo e serviços) e inflação crescente, não encontra apoio nem entre a base aliada (líderes do PMDB criticam o senador Romero Jucá, do próprio partido e relator do orçamento, o qual incluiu o reajuste).
 
Para se ter uma ideia, a fatia destinada ao PT (Partido dos Trabalhadores) deve subir de R$ 39 milhões em 2014 para mais de R$ 100 milhões em 2015, segundo cálculos da legenda. Como se sabe, o partido é o principal implicado no recebimento de propinas desviadas de contratos públicos da Petrobras (há informações de que o mesmo esquema teria ocorrido no Ministério da Saúde), cujas torneiras foram fechadas por causa da Operação Lava Jato. Teria sido o PT quem pressionou Jucá para que o aumento fosse incluído na peça orçamentária.
 
Depois, não adianta reclamar da rejeição dos brasileiros aos nossos políticos. O governo, fazendo tudo o que a candidata Dilma havia garantido que não faria se fosse reeleita, além dos grandes reajustes do começo do ano, ainda pretende reduzir benefícios trabalhistas e previdenciários, pedindo paciência aos brasileiros, diante dos cortes orçamentários que deverão prejudicar ainda mais os serviços públicos e as obras previstas. Enquanto todos nós apertamos o cinto, depois do reajuste de salários dos Três Poderes, agora vem mais esta bordoada, demonstrando claramente que as necessidades dos brasileiros vão sendo deixadas em segundo plano.
 
Nós não somos palhaços. Muitos menos não vamos nos submeter, como gado que segue placidamente para o matadouro. O brasileiro tem razão em reclamar, já que vive uma situação bastante delicada enquanto regalias não são cortadas, reduzidas ou suprimidas. O brasileiro, tradicionalmente ordeiro, já demonstra uma clara insatisfação com situações como esta. E o eleitor tem tomado as ruas para deixar claro que não aceita mais ser manobrado e visto apenas como um caminho para que o público seja tratado como privado pelos políticos.
 
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