A cena era de guerra, só encontrando paralelo em ataques terroristas ou conflitos armados que se multiplicam mundo afora: destruição total, paredes arrebentadas, computadores danificados, móveis destruídos, teto desabando, um cenário assustador. Assim amanheceu no feriado o setor de classificados do Comércio, após o ataque de um bando armado que invadiu o edifício onde funciona o GCN para explodir e roubar o caixa eletrônico do Banco do Brasil existente no local. Foi uma ação rápida que trouxe, para o interior do grupo que publica esta folha, toda a realidade cruel do Brasil de hoje, sitiado pela violência que grassa tanto nas maiores quanto nas menores cidades do País.
Na maioria das vezes coordenada pelo crime organizado que age a partir do interior dos presídios, de onde ordenam ações e execuções, esta violência domina o cotidiano dos cidadãos de bem que trabalham, produzem, pagam impostos e não suportam mais esta situação. O brasileiro fecha-se cada vez mais intramuros, encarcerado em sua própria casa cada vez mais fortalecida por causa de criminosos que hoje não se intimidam.
Pelo que se viu nas imagens do circuito de segurança gravadas na madrugada de terça-feira, um dos motivos desta desfaçatez: os marginais agiram usando fuzis e metralhadoras de alto calibre enquanto os agentes da Polícia Militar só têm uma pistola .40 para enfrentá-los. Uma situação difícil, que se repete Brasil afora. Uma luta de rato contra elefante que acaba dando vantagens ao crime e à violência, deixando todos nós impotentes, sem que se veja uma disposição firme e corajosa para fazer frente à bandidagem que nos oprime.
A leniência de nossa legislação penal é uma das principais causas desta situação. Quem mata, mutila, agride ou rouba, na maioria das vezes está fora das prisões pronto a fazer novas vítimas. A dosimetria da pena não leva em conta a gravidade do crime cometido. Há, em nosso Código Penal, uma série de instrumentos que permitem ao assassino deixar o Distrito Policial pela porta da frente. Quando julgados e condenados, por mais hediondos sejam seus crimes, marginais não ficam mais de 30 anos presos. Algumas ferramentas legais lhes permitem reduzir ainda mais a sua permanência atrás das grades.
No Brasil, as penas são brandas e a bandidagem fia-se em uma aparente impunidade para fechar o cerco contra o cidadão de bem. Enquanto a lei impede que um menor de 16 anos doe órgãos como fígado e rim, mesmo que seja para um parente próximo, este mesmo menor pode delinquir (matar, roubar e traficar drogas), sem que seja responsabilizado por isso. A sociedade brasileira exige mudanças com o endurecimento do Código Penal, numa tentativa de reduzir esta rede de violência que anteontem atingiu a sede do GCN em cheio e que continua atacando, sem respeitar qualquer estrato social. Com a palavra, os nossos legisladores, que aparentemente ainda não perceberam que o País vive em estado de guerra que mata mais do que muitos conflitos armados em diversos pontos de nosso planeta.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.