Dois Brasis antagônicos


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As recentes manifestações contra o governo federal, com foco na presidente Dilma Rousseff (PT) e na corrupção, trazem em seu bojo outro tema que é caro à população brasileira: a grande diferença entre proventos e benefícios a entes públicos e o trabalhador comum, não só dos Poderes Executivo e Legislativo, mas também em diversas instâncias da vida pública, como o TCU (Tribunal de Contas da União). Para se ter uma ideia da distância entre o que recebem estes agentes públicos, basta olhar o caso do garoto Davi Miguel, cuja família luta na Justiça para conseguir realizar um transplante de intestinos nos Estados Unidos. Sem o procedimento, o bravo garoto, que resiste a todos os revezes, pode morrer. Enquanto o governo federal luta para evitar o gasto com a cirurgia do bebê, em torno de R$ 2 milhões, os deputados e senadores têm praticamente todas as despesas médicas, aqui e no Exterior, ressarcidas. O auxílio-saúde do Senado vai mais longe: é ilimitado e vitalício. É bom esclarecer que o benefício ainda contempla os dependentes dos parlamentares (mulher/marido e filhos).
 
Na Câmara dos Deputados, a festa da gastança continua ao contrário do que o ex-presidente Henrique Eduardo Alves tentou fazer crer. Para os deputados federais, ao salário de R$ 33mil, muitos outros benefícios se somam, entre favores pecuniários, a verba de gabinete de R$ 78 mil (destinada à contratação de até 25 funcionários), uma ajuda de custo de R$ 1.113,46, o auxílio-moradia de R$ 4.253,00, o cotão (que paga aluguel de carros, despesas com telefones e serviços gráficos, etc.). Segundo o site Congresso em Foco, cada um dos 513 deputados custa em média R$ 147.600 mil por mês. No Senado não é diferente.
 
Na semana passada, a coluna do jornalista Carlos Brickmann, replicada nas redes sociais e sites noticiosos da Internet, confrontou orçamento e população de diversos Estados com as despesas da Câmara, do Senado e do Tribunal de Contas da União. “A Câmara, que gasta anualmente R$ 5,3 bilhões para atender a 513 deputados e sabe-se lá quantos assessores, tem orçamento praticamente igual ao do Recife (R$ 5,7 bi), com 1,6 milhão de habitantes”, informa Brickmann. “O orçamento do Senado (R$ 3,9 bi), para atender a 81 senadores, mais assessores, secretários, motoristas, é quase igual ao de Salvador (R$ 4,3 bi), com 2,9 milhões de habitantes. O Tribunal de Contas da União (R$ 1,8 bi, para nove ministros e seus assessores) tem quase o mesmo orçamento de João Pessoa (R$ 1,8 bi), com 780 mil habitantes.’
 
Como destacou o jornalista Augusto Nunes, no site da revista Veja, um verdadeiro tapa na cara dos 110 milhões de brasileiros que vivem com um salário mínimo mensal de R$ 788 (ou seja, R$ 26 por dia). Está na hora dos nossos legisladores criarem vergonha na cara e passarem a priorizar o bem estar daqueles que os elegeram. O trabalhador do Brasil não pode mais continuar pagando a conta de erros administrativos e de benefícios que não encontram paralelo em países desenvolvidos. Chegou a hora do basta! Só eles ainda não perceberam isso.
 
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