O posicionamento do vice- presidente do PSB em Franca, o empresário Elson Francisco Bonifácio, o Boni, durante a sessão de julgamento do relatório do Conselho de Ética do partido no caso Vergara, expôs a divisão do PSB na cidade.
A pouco mais de um ano de uma nova eleição municipal, o partido que vinha ganhando espaço na política de Franca sofreu um duro golpe. O tapa na cara desferido por um de seus maiores representantes, o vereador Luiz Carlos Vergara, em um eleitor trouxe ao partido uma repercussão negativa violenta.
O episódio, apesar de toda a indignação dos eleitores da cidade, foi punido pelo diretório do PSB nesta semana apenas com uma censura pública (carta em que o PSB diz discordar da atitude de Vergara) e a suspensão do direito de voto do vereador nas decisões do partido. E só. Para Boni, foi pouco. Muito pouco.
Ele, que está no PSB desde 1999, não se conforma. Indignado, quer levar o caso ao Diretório Estadual do Partido e promete não dar sossego até que o vereador seja punido exemplarmente. “Para mim, o Vergara tem que ser expulso”.
Boni negou qualquer problema pessoal com Vergara. “Não estou julgando a pessoa dele. Eu julgo a atitude”. E respondeu aos que o acusam de querer se promover: “Isso não é promoção. É vergonha na cara. Não posso ver o que vi e permanecer quieto”.
A denúncia ao Conselho de Ética do PSB contra o vereador Luiz Carlos Vergara foi assinada pelo senhor. Por que o senhor decidiu denunciá-lo?
No PSB temos uma Executiva. No dia 20 de fevereiro, nos reunimos com o vereador Vergara porque ele havia recebido um convite do prefeito Alexandre Ferreira para que assumisse a liderança do governo na Câmara. A reunião era para decidir o posicionamento do partido a este respeito. Naquela ocasião, por unanimidade, foi decidido que ele não deveria aceitar porque entendemos que o PSB não tem nada a ver com o governo feito pelo Alexandre Ferreira. Não concordamos com a maneira que ele vem administrando a cidade e não havia sentido em aceitar essa liderança. O Vergara estava presente e foi, inclusive, advertido de que, se aceitasse o convite, seria expulso do partido. Passados 10 dias, no dia 3 de março, durante a sessão da Câmara, ele se pronunciou dizendo que era o novo líder. Só isso já seria suficiente para eu o denunciar. Esse foi o primeiro tapa na cara que ele deu. Tapa na cara da Executiva do partido ao qual ele pertence. Ele nos desrespeitou. Para piorar, neste mesmo dia, ele ainda agrediu um eleitor com um tapa na cara porque o eleitor, indignado como todos nós, foi cobrar uma explicação. Ele não poderia nunca ter agredido quem quer que fosse. Mesmo que a pessoa o tivesse xingado, ele representa o povo, representa o partido. O que ele fez é inadmissível. Senti como se o tapa fosse em mim. Não poderia ficar calado. Então, com a ajuda de alguns membros da Executiva que também estavam revoltados, redigi a carta de denúncia e a entreguei ao presidente do partido pedindo a expulsão do Vergara.
Como o senhor ficou sabendo que o vereador do seu partido havia agredido um cidadão e o que sentiu na hora?
Estava em casa vendo televisão quando vi as imagens da agressão. Sinceramente, não acreditei no que estava vendo. Senti um misto de vergonha e dor. E hoje o que sinto é que o vereador Vergara não tem a filosofia do PSB, não tem nada a ver com o PSB. Porque esse partido que eu tanto defendo e amo não tem nada a ver com um vereador que é capaz de agredir fisicamente um eleitor dentro do plenário. Pelo que aprendi no PSB, nossa principal bandeira sempre foi colocar as pessoas e o bem-estar delas em primeiro lugar. Ele manchou o nome do partido e ainda não me conformei com isso. As pessoas me perguntam por que não saio do partido, uma vez que não me conformo com essa situação. Não saio porque não fui eu que errei. Não fui eu que trai os ideais do PSB. Se tem alguém que precisa sair do partido, esse alguém é o Vergara. E vou fazer de tudo para que ele saia.
O senhor pediu a expulsão do Vergara, mas na audiência em que os membros do diretório do PSB votaram o relatório, seu pedido não teve apoio. O vereador acabou recebendo como punição uma censura pública e a suspensão do direito de voto. Como o senhor se sentiu com esse resultado?
O Conselho de Ética apresentou um relatório que pedia apenas uma advertência interna. Para mim, isso foi um absurdo. Mas era de se esperar porque o relator era o Rodrigo de Paulo, assessor do Vergara. Nada contra a pessoa do Rodrigo, mas acho que ele acabou passando a mão na cabeça do Vergara. Não achei correto fazer isso. Aprendi com meus pais que a gente precisa arcar com as consequências dos nossos erros. Para mim, as pessoas precisavam ter mais opinião, ter posicionamento. Muitas pessoas que foram à reunião faziam parte do grupo de apoio do Vergara. Ele estava com o assessor e também relator do processo, com o vereador Luiz Cordeiro. Por isso a minha proposta não passou.
Mas o diretório é formado por 40 pessoas. No dia da votação do relatório, apenas 16 delas estavam presentes. Os apoiadores do Vergara compareceram. Os outros não...
Então, agora eu pergunto: convocados todos foram, por que eles não estavam presentes?
Essa pergunta eu faço ao senhor. Por que o restante do diretório não compareceu?
Será que é porque estão descontentes com alguma coisa? Estamos agora tentando responder a esta pergunta. Queremos saber porque não foram.
Mas na sua opinião pessoal, por que tanta gente deixou de ir a uma reunião tão importante?
Porque eles estão insatisfeitos com o modo como todo o caso se desenrolou. Estão descontentes com a direção do PSB.
Mas o senhor é vice-presidente do partido, faz parte da direção...
Mas não posso passar por cima de ninguém. Nem faria isso. Mas sei que o PSB precisa mudar. O problema é que uma andorinha sozinha não faz verão. Sozinho não consigo expulsar o Vergara. Pedi a expulsão dele e falei isso na cara do Vergara. Às vezes, olhando para isso tudo, me pergunto: Será que sou eu que estou errado? Eu simplesmente não entendo como as pessoas não reagem diante do que houve.
Durante seu depoimento na audiência, o Vergara revelou que teria feito um acordo com o governo Alexandre Ferreira para assumir a liderança em troca de uma secretaria e cargos. O senhor é vice-presidente da Executiva. Sabia desse acordo? Esse acordo chegou a ser discutido pelo partido?
Não tinha a menor ideia a este respeito. Inclusive, na hora que o Vergara falou isso, me levantei e questionei que reunião seria esta sobre a qual o vice-presidente do partido não é comunicado e, de fato, não fui. E não houve resposta. Nem o Cezar Vilela, que é presidente e foi citado por Vergara, nem o vereador Cordeiro, que também foi citado e estava presente, falaram nada. Simplesmente abaixaram a cabeça. Eles não me chamam porque sabem que eu não participaria deste tipo de conversa. O que está faltando é a Executiva do partido tomar uma decisão. Sentar com o presidente e tomar uma decisão sobre o rumo do partido. Isso depende do presidente, ele é quem comanda.
Ele é quem comanda, mas também é ele que, segundo Vergara, foi negociar com o prefeito a liderança em troca de cargos, mesmo diante da decisão em contrário da Executiva. Que medidas a Executiva vai tomar diante disso?
Eles, tanto Cordeiro como Cezar Vilela, têm que se explicar para nós da Executiva. Porque no dia eles ficaram quietos, não falaram nada. Depois, no programa Hora da Verdade, na Difusora, foram dizer que o Vergara estava mentindo. Mas aí está todo mundo se perguntando: se o Vergara estava mentindo, por que na hora os dois ficaram quietos? Queremos essa resposta. Queremos saber se o Cordeiro e o Cezar realmente participaram desta negociata de cargos e se eles realmente sabiam das intenções do Vergara.
Se o governo oferecer uma secretaria e cargos para o PSB, a Executiva aceitará?
Acredito que não. Eu não aceitaria. O PSB não está à venda. Não temos nada a ver com este governo. O Vergara está sozinho na liderança do governo. Não é o PSB. É o Vergara.
Ainda sobre o Vergara, na última sessão da Câmara, ele voltou a agredir um eleitor. Desta vez, verbalmente. Ele foi flagrado chamando um servidor municipal de ‘vagabundo’ (leia mais na página 7A). O que o PSB pretende fazer?
Vamos apresentar uma nova denúncia. Assinada por mim, pelo professor Ricardo Pereira e pela presidente do PSB Mulher, Lilian Benevides. É um absurdo. No dia que ele sabia que seria julgado por já ter cometido uma agressão, ele xingou um eleitor. Estamos indignados. Agora queremos saber como será o posicionamento do Conselho de Ética e do diretório. Será que vão dar a ele de novo apenas uma advertência?
Se isso acontecer, qual será o posicionamento de vocês?
Vamos denunciar o caso ao Diretório Estadual. Já conversei, inclusive, com o Dr. Ubiali (Marco Aurélio Ubiali, ex-deputado federal), que é vice-presidente estadual do partido, sobre esta possibilidade. E ele disse que o estatuto prevê esse recurso e que o vereador pode ser julgado em São Paulo. Já estamos juntando os vídeos das duas agressões e o primeiro relatório do Conselho de Ética de Franca. Essa segunda denúncia que pretendemos apresentar também encaminharemos com cópia para o Diretório Estadual. Nós vamos até o fim. Não vamos nos conformar.
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