Números enganadores


| Tempo de leitura: 2 min
Já há alguns anos, governos — federal, estaduais e municipais — costumam apresentar índices positivos para demonstrar que estão financiando com acerto áreas sensíveis, como saúde e educação, principalmente. Isto já foi visto na campanha eleitoral do ano passado, quando Dilma Rousseff (PT) conseguiu se reeleger apresentando números frios que, viu-se depois, não refletiam a realidade que o País vive. Em Franca, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), quando confrontado com a ineficiência de sua administração, costuma desfiar uma sucessão de números que não condizem com o momento do município. O caso não é apenas aumentar verbas e ampliar o atendimento, quando não há qualquer incremento efetivo no serviço oferecido.
 
Chama a atenção a informação de que o governo federal aumentou seus gastos reais em educação em expressivos 285% nos últimos dez anos. Em 2014, a despesa da União com educação somou R$ 94,2 bilhões, ou 1,71% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo estudo recém-concluído por Marcos Mendes, assessor legislativo do Senado Federal. Em proporção da receita líquida do Tesouro, os desembolsos para o setor alcançaram 9,3% no ano passado, 130% acima da parcela de 4% detida em 2004.
 
Porém, este incremento não é capaz de melhorar a qualidade do ensino no País. A maior parte das verbas é destinada a programas do governo que são usados como vitrine em campanhas eleitorais, como o Fies (Financiamento Estudantil) e como o Pronatec (Programa Nacional de Tecnologia) que oferece cursos profissionalizantes em instituições privadas para a população carente. Enquanto isso, os principais problemas na educação brasileira ainda residem nos ensinos fundamental e médio, bancados por Estados e Municípios, que não encontram fórmulas capazes de melhorar a qualidade. Gasta-se mal no País, pois professores e funcionários continuam desvalorizados. No Brasil, não se prioriza a capacitação ou a atualização de educadores e há um grande número de profissionais sem formação formal nas salas de aula. A greve dos professores em São Paulo, que se estende por mais de um mês, é uma prova disso.
 
Também no setor de saúde, a situação se repete. Ao lado de centros de excelência mantidos por verbas públicas, o brasileiro convive com ambulatórios precários e hospitais sucateados, alguns até sem materiais imprescindíveis, como ataduras e seringas. Faltam medicamentos, médicos, pessoal especializado e muito mais. São dois lados de uma mesma moeda, principalmente quando se veem hospitais filantrópicos de pires na mão, mendigando verbas para manter o atendimento. À parte a falta de reajuste na tabela do SUS (Sistema Único de Saúde), que estrangula as finanças de entidades centenárias, a corrupção também direciona suas garras para o setor, sonegando atendimento digno a quem mais precisa. Diante de tudo isso, enquanto não houver uma ação efetiva que leve à utilização responsável e com eficiência das verbas públicas, estaremos condenados a ver este quadro deteriorar ainda mais.
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários