Alta na conta de energia elétrica chega aos bolsos


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Pedro França Pereira, dono de banca de pesponto, reclama do aumento na luz. Elevação não é repassada e prejudica negócio
Pedro França Pereira, dono de banca de pesponto, reclama do aumento na luz. Elevação não é repassada e prejudica negócio
O reajuste da conta de luz já começou a gerar prejuízos para o consumidor francano. Comerciantes e moradores sentem os efeitos do primeiro aumento de março e se preocupam com o reajuste anual, que começou neste mês.
 
O primeiro aumento foi aplicado em março. A conta ficou 31,8% mais cara devido a uma revisão extraordinária de tarifas, aprovada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Na conta de abril, já foi percebido o acréscimo. Já o aumento anual da CPFL Paulista passou a valer a partir do dia 8 deste mês. De acordo com a concessionária, a elevação se justifica por gastos com os encargos setoriais, transmissão, compra e distribuição de energia. O reajuste tarifário é de 4,13% para os consumidores residenciais e 5,29% para as indústrias.
 
Além do impacto na própria conta, o francano terá que lidar com o repasse que os comerciantes farão para os produtos. O pãozinho é um dos itens que terá alterações. O produto fica entre 5% e 7% mais caro a partir de hoje. “O quilo do pão custa entre R$ 10 e R$ 11,50 e deve ficar entre R$ 10,50 e R$ 12,50”, disse o presidente do Sindicato dos Panificadores de Franca, Augustinho Juliati.
 
Nos supermercados, o aumento da energia somado à elevação dos produtos acaba pesando ainda mais no bolso do consumidor. No mercado Maxxi, a conta ficou de 20% a 30% mais cara no último mês. “A mercadoria em si já teve um aumento, como é o caso das bebidas. Então, subindo a energia, naturalmente temos que aumentar o valor do produto”, disse o gerente do local, Marcos Antônio Pimenta. Segundo ele, o consumidor prefere levar as bebidas geladas, mesmo sendo mais caro.
 
No estabelecimento, dependem da eletricidade dez freezers, equipamentos do açougue e da padaria.
 
Na Casa de Carnes São Paulo, o repasse tem sido segurado até o momento, mas o acréscimo de abril deve comprometer os preços. “Agora, com esse segundo reajuste, vamos ter que aumentar algumas coisas”, disse o proprietário do açougue, Fabrício de Melo Mendes. Sua conta de luz subiu de R$ 5 mil para R$ 5,6 mil em março.
 
Outro setor que tem sido afetado é o das bancas de pesponto. Os proprietários acabam tendo que absorver o prejuízo, pois não conseguem aplicar na produção o aumento nos custos. “Não conseguimos colocar esse aumento nos custos, pois o cliente não pagaria, aí tem que sair do nosso bolso. Tenho medo de não poder pagar e ter que parar a produção”, disse Pedro França Pereira, 35. Em sua banca, existem cerca de dez funcionários que trabalham com 20 máquinas, dependentes de eletricidade.
 
Estratégia de economia
A dona de casa Paula Molina Santos, 33, mudou várias ações da rotina de sua família para tentar economizar na conta de luz. Mesmo assim, ela pagou R$ 201,42 de energia após o primeiro aumento de março. O valor é R$ 30 mais caro que o boleto anterior.
 
“Tenho aquecedor solar para não gastar com o chuveiro, junto roupas para lavar de uma vez só na máquina e até desligo equipamentos da tomada. Esses reajustes foram exagerados”, reclamou. O chuveiro é considerado o aparelho que mais consome energia no ambiente doméstico.
 
Já a cabeleireira Rosa Pereira, 51, deixou de usar o secador e a chapinha em seu estabelecimento para diminuir os gastos com energia. A mudança acabou prejudicando seu trabalho. “Atendo só o público masculino e em um período só, para ver se pago menos na conta de luz”, disse.
 
O vendedor Everaldo José da Silva, da Eletro Pires, orienta a compra da lâmpada de LED como forma de poupar. “Ela tem a potência de 16 watts e ilumina como uma tradicional de 180 watts”, disse.
 

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