‘Vergara está delirando. Ele mentiu’, diz Cordeiro sobre cargos por apoio


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O presidente do PSB, Cézar Vilela, e os vereadores Luiz Vergara e Luís Cordeiro (na foto), na reunião da Executiva do partido na última terça
O presidente do PSB, Cézar Vilela, e os vereadores Luiz Vergara e Luís Cordeiro (na foto), na reunião da Executiva do partido na última terça
A novela sobre o vereador Luiz Vergara (PSB) ganhou um novo capítulo ontem. Após serem acusados por Vergara de participarem do acordo com o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), em troca de secretarias e cargos na Prefeitura, o vereador Luís Cordeiro e o presidente do PSB, Cézar Vilela, falaram pela primeira vez em entrevista ao programa Hora da Verdade, da Difusora. Recorreram à Bíblia, fugiram de perguntas, titubearam nas respostas e, sem saída, partiram para o ataque. “Vergara está delirando. Ele mentiu”, disse Cordeiro.

‘Deixa eles. Sabem o que fizeram’, rebate Vergara
 
No programa, apresentado por Leandro Vaz com comentários de Corrêa Neves Júnior, Cordeiro negou ter participado da negociação. “Não participamos desta reunião. Para começar, não teve reunião nenhuma com o prefeito pedindo secretaria ou alguma coisa dessa natureza para que o Vergara fosse líder. Ele faltou com a verdade”, afirmou.
 
Segundo o político, houve apenas uma reunião - no dia 27 de janeiro - entre ele, Vilela, Alexandre, Vergara e seu assessor, Rodrigo de Paula. Cordeiro garantiu que o assunto “secretarias e cargo” não foi colocado em pauta. “A única coisa que pedimos foi uma aproximação entre o partido e o governo de Franca”, disse o vereador, que foi além: “Vergara está delirando. Ele mentiu. A reunião foi em consequência do partido. Hoje temos um vice-governador no Estado (Márcio França, vice de Geraldo Alckmin - PSDB -, é filiado ao PSB), mas não tratamos, em nenhum segundo, sobre essa questão que o Vergara apontou”, repetiu.
 
Cordeiro hesitou ao tentar explicar a sua inércia, no encontro do PSB, quando foi acusado de participar do acordo de troca de cargos por apoio ao prefeito. “Como os ânimos já estavam acirrados, não era o momento”, disse o vereador. 
 
Na reunião de terça à noite, durante a acusação de Vergara, Cordeiro nada disse. Também não votou a favor de qualquer punição ao colega. Ontem, de forma oposta, disse que o vereador deveria ter sido punido. “Não me manifestei (na reunião do PSB), mas acho que um afastamento de 60 dias, tanto da Câmara quanto do partido, seria importante.”
 
Cordeiro ainda recorreu à Bíblia ao sair em defesa do companheiro de partido ao comentar a agressão contra o marceneiro Hélio Vissotto, no plenário da Câmara, no dia 3. Citando o apóstolo Pedro, disse que, apesar de repudiar o ato de violência, as pessoas erram e merecem uma segunda chance. 
 
Questionado pelo jornalista Corrêa Neves Júnior se uma “segunda chance” deveria ser dada mesmo quando quem errou não se arrepende, Luiz Cordeiro desconversou e preferiu transferir a responsabilidade ao Conselho de Ética da Câmara. “O Conselho de Ética vai dar uma resposta à comunidade. Acredito que haverá uma punição, sem dúvida.” 
 
No PSB, Vergara foi punido com censura pública e proibido de votar em decisões partidárias por 18 meses. Não há efeito prático.
 
‘Essa bobagem toda’
O presidente do PSB em Franca, Cézar Vilela, fez uma cronologia dos fatos durante a transmissão do Hora da Verdade, afirmou que Vergara disse “bobagens” no depoimento, mas confirmou uma reunião em janeiro, do grupo apontado por Vergara, no gabinete do prefeito. Repetiu a mesma alegação de Cordeiro para justificar o encontro - aproximar o PSB do governo municipal. Admitiu, entretanto,  que o assunto “secretaria” foi tratado na reunião. Porém, apelou para a semântica para tentar se explicar. “Foi dito pelo Alexandre que ele estava estudando fechar duas secretarias. O ‘fechar’ dele é no sentido de ‘extinguir’, e não de ‘acordar’ duas secretarias com o PSB. Houve esta reunião de janeiro e, daí por diante, acabou o assunto”, disse Vilela.
 
O presidente do PSB disse que, na semana de Carnaval, recebeu um telefonema de Vergara, afirmando ter sido convidado por Alexandre para se tornar líder do governo. Ele teria se reunido com o vereador na quarta-feira e o aconselhado a não assumir. “Como é que você é líder do governo se não é parte dele? Eu, particularmente, tenho esse entendimento.” Afirmou que convocou a Executiva do partido para analisar o caso.
 
Segundo Vilela, a reunião aconteceu no dia 20 de fevereiro e ficou definido que o partido era contra ao que o vereador queria. Mesmo assim, na sessão da Câmara da terça-feira seguinte, Vergara assumiu a liderança do prefeito e, logo em seguida, agrediu Vissotto. 
 
Foi quando o partido abriu procedimento para julgar a conduta de Vergara, que culminou na reunião da última terça-feira, quando Vilela foi acusado pelo vereador de participar do acordo com o prefeito. No encontro, Vilela permaneceu calado diante das acusações de Vergara. 
 
Ontem, no Hora da Verdade, também não foi convincente ao dizer por que silenciou-se diante da acusação que alega ser mentirosa. “Na forma e tom de voz que ele disse, naquele momento, eu não tive reação... A reunião não aconteceu. Se tivesse acontecido, o PSB teria um cargo no governo”, disse o presidente.
 
Segundo Vergara, o partido pediu uma secretaria e o prefeito disse que tentaria dar duas, mas não agora. “Nós vamos tentar fechar duas secretarias, mas, neste momento não dá para pensar, neste momento nós não vamos fazer”, teria dito o prefeito de Franca ao grupo do PSB.
 
 
ENTENDA O CASO
Na reunião do PSB, ocorrida na noite do dia 14, Vergara deu detalhes da negociação em que, segunda sua versão, acertou que passaria a apoiar o governo Alexandre Ferreira em troca de secretarias e cargos na Prefeitura. Disse que recebeu um convite de Alexandre Ferreira para conversar e falou com o ex-deputado federal Marco Ubiali a respeito na reunião da Executiva do partido no dia 20 de fevereiro. “Depois que todo mundo se levantou, o Dr. Ubiali disse para mim: ‘Vai lá e conversa com o Alexandre, mas assuma você. O partido, não’.”
 
Em seguida, acusou Cordeiro e Vilela de participarem da negociação. “Eu, Cordeiro e Cézar fomos lá na Prefeitura e acertamos: se o Alexandre der uma secretaria de peso e cargos, nós vamos apoiar o governo. Isso ninguém conta para ninguém. Mas a verdade precisa ser dita.”

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