Barganha vergonhosa


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Ainda na época do Brasil colonial, a prática de concessão de benefícios em troca de apoio já era identificada com o País. Títulos de nobreza e cargos públicos eram oferecidos a adversários para que, de uma hora para a outra, mudassem de posição. A prática atravessou séculos e chega hoje, em pleno 2015, mostrando-se mais forte do que nunca. Disseminou-se, entre a classe política de nosso País, estando enraizada em todas as instâncias da administração pública, partindo da presidência da República até chegar aos menores municípios brasileiros. Embora se alastre, este tipo de relacionamento causa mal-estar nos eleitores e cria uma série de ‘atalhos’ que acabam desembocando em esquemas de corrupção. A operação Lava Jato está aí para provar.
 
Desde que o Brasil foi descoberto as coisas acontecem assim. Primeiro, foram os portugueses que ofereceram espelhos, tecidos e adornos para conseguir a simpatia dos índios. Mais tarde, a distribuição de terras da colônia recém-descoberta (as famosas capitanias hereditárias) reforçava o apoio à Casa Real Portuguesa. Já no Império, a moeda de troca eram títulos de nobreza e grandes extensões de terra. Hoje, ancoramos nos cargos públicos: ministros são empossados em Brasília como um acordo entre o governante de plantão e legendas políticas, o que vem se repetindo nos Estados e Municípios. Os cargos comissionados (sem necessidade de concurso) só incham a máquina pública para garantir o apoio necessário para o Poder Executivo aprovar peças de seu interesse no Congresso, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais.
 
Ao admitir que trocou de lado e abandonou a oposição para apoiar o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), o vereador Luiz Vergara afirmou, com a maior naturalidade, que recebeu a promessa de que poderia indicar aliados para duas secretarias municipais (“não agora”, como garantiu) e de que suas propostas seriam acolhidas “com maior carinho” pela administração municipal. Uma afirmação sem cabimento e que mostra o tipo de relação espúria que cerca a convivência dos entes públicos eleitos pelo voto. É algo que não se pode admitir e muito menos relevar, uma vez que tudo o que acontece neste relacionamento se reflete na nossa vida cotidiana.
 
Usar a posição para conseguir uma vantagem é típico de um Brasil que não deveria existir mais. Os ventos democráticos que varrem o País há cerca de 30 anos são mais fortes do que este troca-troca abjeto a que assistimos, impotentes, ocorrendo em nosso quintal. O que mais preocupa é que os próprios pares do vereador Vergara, seja no PSB seja na Câmara, consideram esta atitude normal, da mesma forma que o tapa na cara que ele desferiu no marceneiro Hélio Vissotto Neto, no plenário do Legislativo, é visto como passível apenas de advertência ou suspensão por tempo determinado. Não é assim que o francano vê os episódios que envolvem a política do município nos últimos anos. E, com certeza, já se prepara para dar a sentença justa nas eleições do ano que vem.
 
 
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