As palavras do título, mais de uma vez, pude ouvi-las do querido e humilde padre Marcelo. Eu as acato, em meio a elas acrescento “alegria” porque da tristeza consigo fugir, quando posso, claro.
Saudade também eu sinto, mas uma saudade suave, gostosa como aquela que me vem lembrando a minha saudosa e querida irmã Olga, em seus momentos passados aqui na Terra, porque ela sim era toda alegria que sabia partilhar entre as pessoas com as quais convivia.
Lembro-me muito da Olga menina, fazendo roupas para as suas bonecas e crescendo com ela o desejo de ser costureira. Ali em Rifaina, onde morávamos, entre pedaços de pano, tesoura e agulhas, podia-se perceber que era essa a sua vontade.
E pelas manhãs, lá ia a minha irmã feliz da vida a caminhar por uma longa rua, rumo ao ateliê da Nair Costureira, aquela que a iniciou na arte de fazer vestidos. Cantarolando, Olga carregava na caixinha de papelão pedaços de pano, tesoura, agulhas, linhas, dedal, mas tudo se esparramava pelo chão quando passava em frente à cadeira onde não tinha presos e nem soldados. Porque então o medo? Nem ela sabia.
Outra coisa que deixava Olga apavorava era deparar-se com um sapato velho, sujo, rasgado, descolado. Esse era outro motivo que a deixava com febre e noite sem dormir. Por que o medo de sapato velho, também não sabia.
Minha irmã aprendeu a costurar e, já morando em Franca, teve muitas freguesas e mais que freguesas, também amigas. Além de exímia costureira, Olga ainda achava tempo para se dedicar aos pais, irmãos, à nossa casa enfim.
O tempo passou e Olga não se deu conta de que o passado não volta mais e em nenhum momento da sua vida pareceu sofrer; mas quem sabe? Já doente e fragilizada, deixou a vida cá da Terra onde ensinou o que é amor e alegria, alegria essa que trago no meu coração, acompanhada sempre daquela saudade suave e gostosa que não maltrata jamais.
Farisa Moherdaui, professora
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