“Quanto, Vergara?” O simples questionamento feito pelo marceneiro Hélio Pinheiro Vissotto durante sessão da Câmara, no dia 3 de março, foi suficiente para o vereador se ofender e responder com um tapa na cara. “Me senti ofendido, sim, pois não recebo. Sou homem público e tenho meu mandato”, afirmou Vergara ao Comércio no dia da agressão. “Fui chamado de corrupto e ladrão, e não sou. Agi em defesa de minha honra”, repetiu durante depoimento prestado ao Conselho de Ética no dia 25. Dias depois, em entrevista, o vereador admitiu que o marceneiro realmente não o chamou de “corrupto e ladrão”, mas que ficou ofendido com a pergunta.
Vissotto queria saber o que Vergara havia levado para deixar, de uma hora para outra, a oposição e se tornar o líder do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) na Câmara. O eleitor foi agredido por ter feito uma pergunta tão “ofensiva” e se tornou o inimigo dos vereadores.
Quarenta e dois dias depois, sem que ninguém tivesse perguntado, Vergara revelou o mistério que tanto parecia incomodá-lo. Na noite da última terça-feira, 14, ao discursar durante reunião do diretório do PSB, que avaliava qual punição iria lhe aplicar, o vereador, enfim, respondeu quanto. “Eu, o Cordeiro (vereador Luís Cordeiro, também do partido) e o Cézar (presidente da legenda em Franca) fomos lá (na Prefeitura) e acertamos: se o Alexandre der uma secretaria de peso e cargos no governo, nós vamos apoiar o governo”, disse ele, para completar em seguida. “Lá, o Alexandre disse: ‘Nós vamos tentar fechar duas secretarias, mas, neste momento não dá para pensar, neste momento nós não vamos fazer’”.
Hélio Vissotto disse que a confissão feita pelo próprio Vergara o deixou com a consciência tranquila por ter perguntado quanto. “Ele provou que minha pergunta era pertinente. Respondeu tardiamente, mas respondeu. Só demorou. Estou satisfeito com a resposta.”
O marceneiro que levou o tapa afirmou que, desde o momento em que o vereador mudou de lado, ele imaginava que algum acordo havia sido feito nos bastidores. “Era óbvio para todo mundo que havia rolado algo. Deixei no ar o ‘quanto’. Eu achava que o ‘quanto’ fosse quase inconfessável, mas ele, para nossa surpresa revelou.” Vissotto acredita que nem toda a verdade veio à tona. “Esse pessoal mente demais, com facilidade, na maior cara dura, e encontra respaldo perante os outros. Estou assustado.”
Vissotto afirmou que a revelação deu ainda mais motivos para ele continuar apontando as incoerências dos políticos. Ele ainda avalia quais atitudes vai tomar. Disse que processará Vergara civil e criminalmente. “Ele vai pagar monetariamente pelo que fez. Não quero dinheiro, vou doar tudo para o (Hospital) ‘Allan Kardec’, mas barato não vai sair. A pizza vai ter caroço.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.