Polícia Civil encerra caso Luara Prieto sem indiciar ninguém por erro


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Luara Prieto
Luara Prieto
Mais de um ano e três meses depois da morte da jovem Luara Prieto Ribeiro, que morreu depois de ser atendida oito vezes no Pronto-socorro “Àlvaro Azzuz” e passar por duas cirurgias, a Polícia concluiu, nesta semana, o inquérito que investiga as circunstâncias que levaram Luara à morte. A conclusão do delegado Luiz Carlos da Silva, responsável pelo caso, é a de que não há provas de erro médico. Nenhum dos médicos que atenderam a jovem foi indiciado. 
 
Segundo o delegado, suas conclusões tiveram como base um relatório enviado pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). “Infelizmente, não tenho conhecimentos técnicos para analisar a conduta médica. Isto foi feito pelo conselho que é capacitado para tal. No documento enviado à Polícia, os membros do Cremesp disseram que não há indícios de qualquer erro na conduta dos médicos.”
 
De acordo com o delegado, a única ressalva feita foi em relação a um dos cirurgiões que atendeu Luara na Santa Casa. “Em relação a este profissional, o relatório afirma que pode ter havido exagero. Mas não é taxativo”. 
 
Em virtude disso, o Conselho decidiu abrir um novo processo para apurar especificamente a conduta deste profissional. “No relatório que recebi, os conselheiros analisaram todo o atendimento prestado à vítima. Mas não focaram em nenhum médico. Com esse possível exagero, agora, investigarão a conduta deste único profissional”, disse o delegado. 
 
Na conclusão do inquérito, Luiz Carlos disse que decidiu não fazer nenhum indiciamento, mas, em relação ao cirurgião investigado, pediu que a Justiça aguarde a conclusão do Cremesp para saber se houve de fato algum tipo de erro que possa ter resultado na morte de Luara. “Sinceramente falando, não acredito que tenha havido algo deste tipo. Pelo que investiguei, o que houve é que ela não reagiu aos tratamentos oferecidos. Infelizmente, acabou vindo a óbito. Mas como é meu dever, vou aguardar”.
 
A conclusão do inquérito foi entregue à Justiça que deve agora encaminhá-la a um promotor de Justiça. “Caberá ao promotor designado averiguar todo o trabalho da polícia e decidir se apresentará ou não denúncia contra os envolvidos. Meu trabalho como delegado neste caso se encerrou.”
 
A morte de Luara também é alvo de uma sindicância aberta pela Secretaria Municipal de Saúde que ainda não foi concluída. O andamento dos trabalhos na secretaria é mantido em sigilo. 
 
Sem respostas
O pai de Luara, Silson Ribeiro, espera, há mais de um ano, por ao menos, respostas sobre o que aconteceu com sua filha. Mas todo o processo de investigação do caso é mantido em sigilo. Não foram divulgados nem mesmo os nomes dos médicos envolvidos. A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, não posiciona a familiares a respeito de qualquer informação. Em fevereiro, ela foi convocada para prestar esclarecimentos sobre o caso, na Câmara. Mas nada disse de relevante. 
 
A situação se repete em relação aos familiares de outras seis vítimas mortas em circunstâncias suspeitas ao serem atendidas na Rede Pública de Saúde, no ano passado. Eles acusam médicos e profissionais de negligência e falhas no diagnóstico e tratamento. Apesar da gravidade, a Prefeitura de Franca não apresentou o resultado oficial das investigações. 

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