Seguidamente se divulga notícias envolvendo jovens em fatos estarrecedores. Resumidamente, alguns exemplos: um rapaz morto e seis internados em ‘concurso’ para ver quem ingeria maior volume de bebida alcoólica; trotes universitários com calouros obrigados a consumir álcool, além de abusos e aberrações; torcidas organizadas que vão aos estádios só para atacar adversários, inclusive com arma de fogo; drogas, sexo, promiscuidade, ruptura de convenções sociais, desobediência aos pais, enfrentamento (até físico) a professores; provocação e desacato a autoridades, especialmente policiais.
O que ocorre com os jovens? As redes sociais têm a ver? Pode ser. Todo instrumento pode ser usado para o bem e para o mal, dependendo da mente de quem utiliza. É inegável que as redes facilitam relacionamentos. Mocinhas se encantam e marcam encontros com figuras que podem se tornar mortais; gangues programa locais de brigas; torcidas de futebol são convocadas para confrontos violentos.
Preocupante é que os jovens estão obcecados pelas facilidades virtuais. Pesquisa do Ibope diz que 95% de brasileiros entre 15 e 33 anos estão viciados em tecnologia. Tenho defendido a necessidade de se trabalhar com a juventude a partir do ambiente escolar para incutir responsabilidade cívica e social. O jovem deve se preparar à inserção social, com efetivo discernimento de direitos e deveres. Em sociedade não há como viver alienado.
Houve época de muito menor perspectiva, de futuro mais incerto e o comportamento não chegou a declinar ao nível atual. Talvez seja isso a ‘modernidade’ na visão jovem, o que é preocupante. É oportuno pensar nestes temas para correção de rumo e de foco de nossa juventude, que é inteligente e, por natureza, de boa índole e sadios propósitos.
Luiz Carlos Borges da Silveira
Empresário, médico e professor. Foi ministro da Saúde e deputado Federal
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