A luta pela vida


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O Brasil é mesmo um país de grandes contrastes. Na mesma edição de jornal em que se noticia apropriação indébita de bilhões de reais dos cofres da Petrobrás, o leitor se obriga a tomar conhecimento de que a União, infelizmente, vem adotando todas as medidas jurídicas possíveis e imagináveis para não assumir o custo de cirurgia e tratamento do bebê francano Davi Miguel — que tem que passar por transplante de intestino para sobreviver — no Estados Unidos, lugar onde tratamento do tipo que ele precisa tem alto índice de acertos.
 
Recursos para a corrupção sempre há em abundância. Dinheiro para salvar a vida de uma criança, ou de alguém,, inexplicável e paradoxalmente, nunca há. 
 
Por outro lado, todos aguardam ansiosos o pronunciamento do poder Judiciário, sempre o último bastião da justiça. O juiz federal Marcelo Duarte da Silva pretender proferir sentença sobre o caso até o final deste mês de abril, no máximo. 
 
A expectativa é no sentido de que a decisão seja favorável ao garoto e à sua família, e que a Procuradoria não interponha recursos protelatórios, pois o tempo corre implacável. 
 
O pequeno Davi, atualmente, aguarda solução internado em São Paulo, no Hospital Samaritano, resistindo com bravura, já que precisa ganhar peso e se estabilizar para suportar a viagem e a cirurgia salvadora.
 
A população, em inequívoco resgate de cidadania, faz o que pode, encetando campanhas capazes de arrecadar o numerário necessário, independentemente do que vier a ser decidido pelo juiz. 
 
Evidente que não se pode negar que a solidariedade é, sim, traço marcante do caráter do povo brasileiro, ao contrário do que alguns desavisados pensam. 
 
Espero, no entanto, que no futuro, não há necessidade de campanhas do tipo porque o país reconhecerá espontaneamente, que pessoas são sua razão de existir e, assim, cumpra com sua obrigação constitucional de garantir saúde a todos. 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
 
 

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