A prisão de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT (Partido dos Trabalhadores), no âmbito das investigações da operação Lava Jato, que apura a existência de um esquema de propinas que funcionou na Petrobras até o final do ano passado, começa a preocupar não apenas a legenda, mas também outros partidos suspeitos de terem recebido dinheiro desviado da nossa maior estatal. Vaccari é apontado como operador de propinas no esquema, envolvendo um cartel de empreiteiras e pagamentos ilícitos a dezenas de deputados, senadores, governadores e ex-parlamentares. A prisão, por si só, deixa clara a existência de indícios que implicam Vaccari. E o que é pior: Polícia e Justiça Federais declaram que o tesoureiro petista também se beneficiou com o dinheiro fácil e conseguido à custa de um verdadeiro achaque contra empreiteiras.
As informações dão conta de que outros medalhões da política nacional podem ter o destino igual ao do tesoureiro que, mesmo diante das constatações do processo, não tinha sido afastado do posto que ocupava no PT. Para evitar que suspeitas o atingissem, eram contas da esposa e da cunhada de Vaccari que tentavam esconder o dinheiro sujo. Segundo a PF, eram quantias consideráveis sem qualquer comprovação. A investigação entra em uma nova etapa, que pode ampliar ainda mais o escopo da operação. Dificilmente a prisão — não apenas dele, mas também dos outros implicados que continuam encarcerados no Paraná — se daria sem que houvesse fortes indícios (ou alguma comprovação) das informações dos delatores que abastecem o processo de informações.
Agora fica difícil manter o mantra de que o PT, o PMDB e o PP (os dois últimos também apontados como recebedores de propinas) ‘só receberam doações dentro da legalidade’. Envolvidos e empreiteiras, em delação premiada, apontam que o dinheiro desviado abastecia o caixa dos partidos e de políticos na forma de doações legais. As investigações apuraram, com base em documentos da Petrobras e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que há similaridade entre as quantias desviadas e as ‘doadas’ pelas empresas. Ontem mesmo, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Lava Jato, disse ‘a corrupção não tem cores partidárias’. Mais um argumento que derruba a tese, também difundida pelos petistas, de que as acusações não passam de “perseguição” à legenda.
Pelo andar da carruagem, dificilmente o processo atual seguirá o mesmo rumo do Mensalão, onde os condenados insistem até hoje em que não houve nada e que as sentenças apenas seriam uma resposta ao clamor popular. É de se admirar a forma como o processo vem sendo conduzido pelo juiz Sérgio Moro, indo a minúcias, incluindo a participação do Ministério Público da Suíça — onde parte dos recursos desviados da Petrobras estava depositada nos bancos locais —, além da delação premiada de vários envolvidos, que entregaram documentos e provas de suas afirmações, o que não ocorreu no Mensalão. Agora, resta aguardar o encerramento do inquérito e o indiciamento dos implicados, para que o País passe a respirar aliviado sabendo que a corrupção não mais ficará impune.
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