A dona de casa tem se surpreendido quando vai ao supermercado: preços estão subindo de maneira acelerada. Por sua vez, o chefe de família se atemoriza ao receber a conta de energia elétrica: a ilusão construída há dois anos, quando a presidente ‘mandou’ baixar a conta de luz, vem sendo revertida com muito ímpeto: neste ano, a ‘força’ já aumentou 36,34%. Nos últimos 12 meses (completados em março) ficou 60,42% mais cara. Não custa acrescentar que essa angustiante elevação dos preços tem outras evidências muito sentidas: aumento de combustíveis, de transportes, de mensalidades escolares.
Para controlar inflação o governo estabeleceu meta de 4,5% ao ano. Em março, o IPCA, medida oficial, atingiu a inusitada marca de 1,32%, maior para o mês em 20 anos!. Energia elétrica foi responsável por mais da metade (53,79%). Em janeiro, os preços subiram 1,24%; em fevereiro, 1,22%. Em 12 meses, a alta chegou a 8,13%!
Além de prejudicar os menos favorecidos, a inflação, historicamente, tem causado muito mal. Nós, brasileiros de mais de 40 anos, a conhecemos (muito) bem. Entre 1970 e 1994, os preços aumentaram assustadoramente e diferentes planos que, supostamente, debelariam o processo, sucumbiram.
Um, trouxe consigo famigerado confisco. Na história do mundo, a tristemente famosa hiperinflação alemã (de 1914 a 1923), fez um dolar americano valer 4,2 trilhões de marcos(!).
Há explicações sobre inflação. A teoria quantitativa diz que se há mais dinheiro em circulação, via emissões ou crédito fácil — sem base real —, os preços se elevam. Outras falam em safra ruim, problemas climáticos que reduzem a produção, imprevidência, políticas econômicas equivocadas. Aqui no Brasil, soma-se gastos governamentais excessivos que se transformam em déficities e decisões econômicas mal sucedidas. Agora, com necessário reajuste fiscal, as coisas ficaram ainda piores.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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