As manifestações do domingo tiveram menos gente que as de 15 de março, mas o vice-presidente Michel Temer, hoje homem forte e esperança do governo, diz que foram importantes e merecem atenção.
Movimentos por impeachment anunciam Marcha a Brasília para pressionar o Congresso a acatar e tramitar processo de afastamento da presidente da República.
Supõe-se que, acontecendo, os ditos movimentos sociais bafejados pelos governos petistas também podem se mobilizar, inclusive o tal ‘exército de Stédile” recentemente citado por Lula.
Qualquer manifestação fica perigosa quando há radicalização e, principalmente, confronto. As auto..ridades têm o dever de garantir direito de manifestação de diferentes correntes de pensamento e do povo, zelar para que não se confrontem e nem sejam tomadas por vândalos e desordeiros que desvirtuam propósitos.
Não podemos ignorar que, a sustentar os pedidos de afastamento da presidente, ainda existem as cruciais questões trabalhistas a exemplo de redução de benefícios do trabalhador no seguro-desemprego e pensão por morte. Centrais sindicais prometem greve geral se isso vier a ser aprovado. Acrescente-se, agora, a lei da terceirização, que tira sindicatos da zona de conforto. Caminhoneiros continuam descontentes e, agora, produtores rurais também se mobilizam.
Por conta da somatória desses problemas, é hora da presidente da República chamar a sí as responsabilidades inerentes ao cargo e determinar o rumo da estabilização política nacional; repetir o gesto simbólico de Pedro I e o brado ‘independência ou morte’. Independência representada pelo ato de governar legitimado pelos votos recebidos na eleição, e morte, compreendida pelo afastamento na hipótese de não conseguir dominar a situação.
É preciso fazer algo para terminar com o impasse. O grande risco é o governo perder por completo a sustentação da sociedade e não ter mais condições de governar.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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