Seria muito fácil se todos pensassem igual. Mas, como já dizia Nélson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Isto vale para todos os nossos momentos da vida cotidiana, seja em família, seja na política. A oposição, embora incomode, faz toda a diferença e evita que a autocracia se instale, garantindo assim a democracia. Grosso modo, o antigo dito popular (o que seria do vermelho se todos gostassem do amarelo?) expõe com clareza esta questão. Temos, não só em nosso País, mas também em todo o planeta, pensamentos antagônicos que convivem harmoniosamente, embora nem todos aceitem o debate e utilizem a violência como forma de expressão.
Este é o caso do vereador Luiz Vergara (PSB), que ontem protagonizou outro episódio que não cabe bem a um homem público. De acordo com dois servidores municipais que estão em greve e participavam de uma manifestação na Câmara de Vereadores, Vergara os teria chamado para resolverem suas diferenças no tapa. A discussão foi gravada por uma emissora de TV, mas as imagens não permitem perceber se o vereador realmente chamou os grevistas para a briga; apenas se vê Vergara falando rispidamente e discutindo com os grevistas. Ao ser entrevistado, o líder do prefeito explicou apenas que estava “discutindo a compra de um colchão” com um deles. Sobre a segunda acusação, calou-se. Desde quando foi filmado desferindo um tapa na cara do marceneiro Hélio Vissotto, ele tem sido pródigo em desculpas esfarrapadas.
O que ninguém entende até agora, desde o episódio do bofetão, como é que o vereador do PSB ainda continua ocupando uma vaga na Câmara, mantendo-se líder do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), a quem fazia oposição sistemática até o final do ano passado? Caso os integrantes da Comissão de Ética do Legislativo francano estivessem realmente preocupados com a boa prática política, os trabalhos de ‘apuração’ teriam sido concluídos em apenas uma reunião de poucos minutos. A atitude do parlamentar é passível de cassação e qualquer outra pena além desta é mais uma prova do corporativismo que toma conta de nossa Casa de Leis, pelo menos em sua atual legislatura.
Para quem se tornou homem público em razão de sua atuação como líder sindical de uma categoria de trabalhadores, as atitudes de Luiz Vergara nos últimos meses causam estranheza. Primeiro, deixou a oposição ferrenha para liderar um governo que considerava abaixo da crítica. Depois, utilizou-se de uma manobra para enfiar goela abaixo dos servidores o que a Prefeitura decidiu, sem qualquer negociação, ser o ideal como reajuste de salários. E, por fim, agrediu um eleitor, dentro do Plenário da Câmara, além de se colocar frontalmente contra uma movimentação reivindicatória que apoiou incondicionalmente um ano atrás. O que mudou? Ele ainda deve explicações por ter aceitado mudar de lado, de uma hora para a outra, quando nem os vereadores do partido do prefeito aceitaram assumir a sua liderança. Franca espera uma resposta; não apenas dele, mas também da Comissão de Ética que, aparentemente, já prepara outra indigesta pizza a ser empurrada garganta abaixo dos francanos.
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