Rapaz gay é espancado por três homens no Jardim Brasilândia


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O rapaz teve um dente quebrado, os olhos e a orelha direita feridos. Foram necessários cerca de 20 pontos cirúrgicos para fechar um corte profundo na nuca
O rapaz teve um dente quebrado, os olhos e a orelha direita feridos. Foram necessários cerca de 20 pontos cirúrgicos para fechar um corte profundo na nuca
Um funcionário de um supermercado de 38 anos foi agredido brutalmente por três homens, nas proximidades de um bar no Jardim Brasilândia. O caso aconteceu na madrugada de domingo para segunda-feira e foi registrado no 3º Distrito Policial. Os autores do ato de violência não foram identificados.
 
O rapaz afirma que a motivação da agressão foi homofóbica. “Conheci um rapaz no bar e estava com ele no banheiro, onde eu o abracei. No banheiro, entrou um cara e disse que no bar não era lugar para isso e que a gente deveria ir embora. Então, ele me deu um murro na costela”, contou a vítima. Ao perceber o clima de tensão, o rapaz diz ter pedido ajuda para o dono do bar, que não teria tomado nenhuma atitude.
 
De acordo com o rapaz, ele foi embora a pé, mas o homem que o agrediu no banheiro e mais dois o perseguiram por uma rua que fica a cerca de um quarteirão do bar. Eles o agrediram com socos e pontapés em seu rosto durante aproximadamente cinco minutos. 
 
O rapaz teve parte de um dente da arcada superior quebrado, os olhos e a orelha direita feridos. Foram necessários cerca de 20 pontos cirúrgicos para fechar um corte profundo atrás da orelha. Depois da agressão, ele alega ter tido o celular e R$ 60 roubados.
 
Ele consegue se lembrar das características de dois agressores. De acordo com ele, um era negro, alto e muito forte, o outro também tinha a pele escura e cerca de 1,70 metro.
 
“Coloquei a mão no rosto pedi para pararem, porque eu não tinha feito nada. Eles falaram que gente assim como eu tinha que apanhar. Desmaiei depois de me baterem e acordei cheio de sangue”, afirmou o agredido.
 
O bar era distante de sua casa e ele não se lembra como chegou na residência. Estava muito desorientado, mas conseguiu pedir ajuda para seu irmão, com que mora. O rapaz foi atendido no PS “Álvaro Azzuz” e depois foi internado na Santa Casa de Franca. “Homofobia é uma coisa muito triste, agora eu não tenho vontade de sair de casa mais, penso até em me mudar de cidade. Fica um sentimento de medo e insegurança dentro da cabeça e do coração da gente”, desabafou a vítima.
 
Até o final da tarde dessa terça-feira, o rapaz seguia internado e aguardava o resultado de exames médicos.
 
A agressão preocupou toda a família dele. Sua mãe ficou fortemente abalada e indignada com a agressão. “Eu não me conformo com tamanha covardia que fizeram com meu filho. Por que fizeram isso? Por ele ser homossexual? Pobre?”, indagou, chorando, a dona de casa de 57 anos.
 
De acordo com ela, o rapaz manifestou um intenso sentimento de medo após ter apanhado. “Ele tem medo de tudo, de sair na rua, de me perder e até de querer tirar a própria vida”, disse.
 
A reportagem esteve no 3º Distrito Policial para ouvir o delegado Leopoldo Gomes Novais, que cuida do caso. Porém, ele informou que a vítima havia pedido sigilo sobre o assunto. Também foi procurado o proprietário do bar onde a confusão começou. A reportagem ligou no estabelecimento e esteve na residência do responsável, mas, ele não foi encontrado.

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