Servidores municipais em greve fazem ‘enterro’ dos vereadores


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Grevistas protestaram contra políticos que votaram a favor do projeto apresentado em regime de urgência e que fixou reajuste para a categoria
Grevistas protestaram contra políticos que votaram a favor do projeto apresentado em regime de urgência e que fixou reajuste para a categoria
A sessão de ontem da Câmara ocorreu em clima de velório. Usando roupas pretas, fantasiados de morte e carregando cruzes com nomes de vereadores, servidores municipais fizeram um enterro simbólico dos parlamentares. Foi a maneira que encontraram para protestar contra os políticos que votaram a favor do projeto apresentado em regime de urgência pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), em março, e que fixou o reajuste salarial da categoria sem que as negociações tivessem sido encerradas.
 
A manifestação contou com a participação de 400 servidores que entraram na terceira semana de greve. Eles caminharam da Prefeitura até a Câmara encenando um cortejo fúnebre. Levavam um caixão com a inscrição “aqui jaz a democracia”, velas e cruzes com os nomes dos vereadores que aprovaram o projeto. Escaparam do “enterro” Valéria Marson (PSDB), Márcio do Flórida (PT) e Daniel Radaeli (PMDB), que votaram contra o referido projeto.

Assista:

Os servidores culpam os vereadores pela aprovação do projeto que corrigiu o salário da categoria com base no índice da inflação, 7,68%, e que fixou o vale alimentação em R$ 260. A articulação foi feita pelo prefeito e pelo seu líder, Luiz Vergara (PSB), sem o aval da categoria, que briga por um vale de R$ 400. “Este manifesto é para mostrar a nossa insatisfação e tristeza em relação ao silêncio e à falta de diálogo dos senhores. Estamos indignados por vocês não nos ouvirem. Não queremos silêncio. Queremos soluções”, disse a servidora Rose Bitar.
 
Além dos seguranças particulares que passaram a proteger a Câmara desde que Vergara deu um tapa na cara do marceneiro Hélio Vissotto, em 3 de março, três PMs, entre eles um capitão, ficaram dentro do plenário durante os protestos. Servidores acusaram Vergara de chamá-los para a briga (leia texto nesta página). “Não precisavam ter chamado a polícia. Nunca houve uma greve tão pacífica como esta”, disse Fernando Nascimento, presidente do Sindicato dos Servidores.
 
Enquanto os trabalhadores protestavam na Câmara, a Prefeitura ingressou com pedido urgente de liminar, no Tribunal Regional do Trabalho, para que a Justiça declare a ilegalidade da greve. Segundo o município, o movimento é “abusivo” e não está garantindo o mínimo de atendimento. Os servidores também são acusados de terem “invadido” e “pichado” o Paço.
 
Durante discurso na Câmara, Fernando Nascimento disse que as acusações são falsas. “Estamos cumprindo à risca a lei de greve. O prefeito está falando inverdades para tentar nos prejudicar. Ele mandou fechar as UBS e o posto de saúde do Centro. Também não fizemos pichação alguma. A greve é pacífica e ordeira.”

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