Tornar-se pessoa humana exige transformações e superação. Necessariamente passamos da vida à morte e, a todo instante nos e é exigido ser no tempo. Todo processo/relação nasce e finda. São metamorfoses. Viver é morrer e morrer é viver, fases da mesma linha do tempo. Todo o tempo nos deparamos com a morte, e, então, temos que pensar que existe outra vida que não se encerra, mas que se inicia. A morte não é o fim e é preciso superar o luto das perdas. Há função simbólica em tudo isso e não reconhecer a identidade, a responsabilidade, é guiar-se pela falta da verdade, por obscuridade e pelo sofrimento demasiado. É preciso perguntar o que, quando, como, onde, quem e por quê. Estas perguntas e suas respostas geram reflexões e permitem transformações.
Algumas coisas são inacessíveis ao ser humano, mas é diante de impossibilidades que surge a oportunidade da transformação. É preciso abrir portas e entrar no escuro. É isso que determina o agir frente ainda não elaborado, o desconhecido. Somos livro aberto ou obra inacabada? Meros leitores/expectadores ou autores da nossa existência? Não tomar pé de situações gera aviltamento, afastamento do ser e de sua própria história/obra. Em outras palavras, você se torna só leitor da vida que passa. É justo? Até para decidir sobre justiça é necessário estabelecer valores e regras.
Temos o direito de interferir nos desejos e ações ou só após as consequências deles? Como lemos a história que estamos construindo? Será que ela se confirma com a leitura que outros fazem? Acredito que criminalidade, superficialidade de relacionamentos, desvalorização de instituições estão ligada ao empobrecimento do simbólico, da dificuldade em transformar signos em significados e significantes. Leitura/obra deve ter propósito. Não há grau zero de leitura. Sob qualquer prisma que se analise, somos direta ou indiretamente responsáveis pela obra que lemos/vivemos.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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