Crianças são seres incríveis. Sua capacidade de imaginar e expressar sua criatividade não tem limites. Sua curiosidade e a vontade de querer saber tudo sobre tudo alimentam suas mentes, verdadeiras máquinas de produzir ideias brilhantes.
E elas continuam assim, até que nós — adultos, mais sabidos — acabamos com essa história de curiosidade aguçada e de ideias que ‘não levam a lugar algum’. É assim que transformamos mais uma criança em um adulto como nós, como se isso fosse uma coisa boa.
Acontece que a criatividade, que é uma capacidade com a qual todos os seres humanos nascem, é uma habilidade essencial para se resolver problemas. E nunca estivemos tão carentes de pessoas capazes de resolver problemas quanto hoje.
Sir Ken Robinson afirma que nós deseducamos as crianças de sua criatividade na escola. Em vez de desenvolvê-la, seguimos um currículo que nos é imposto e que é incapaz de conectar estudantes ao mundo em que vivemos. Sem que nossas crianças conheçam o contexto e saibam quais problemas enfrentamos, elas nunca se sentirão incomodadas e desafiadas a efetuar mudanças.
Uma pesquisa realizada pela consultoria John Snow Brasil, em 2008, revela que o uso do jornal na sala de aula melhora o desempenho dos estudantes, não só na escola, mas também em seu desenvolvimento social e pessoal. Segundo Miguel Fontes, diretor da John Snow Brasil, ‘quando você desmitifica o jornal para o jovem, ele gosta, percebe o mundo. Sente-se mais atuante e mais crítico’.
Esta é uma questão muito séria em um país em que apenas uma em cada quatro pessoas é plenamente alfabetizada, capaz de acessar, analisar, avaliar e reagir às informações disseminadas pela mídia. Até entre estudantes de nível superior, 38% não têm essa capacidade.
O caminho para um país melhor passa pela educação. Uma educação criativa, que prepara as crianças para a vida, não apenas para passar na prova.
Marcos Mayer
Consultor em criatividade e inovação, publicitário, palestrante
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