No último domingo, os brasileiros voltaram às ruas para protestar. Embora o governo tente minimizar estes episódios e muitos aliados, mais alienados ainda, criem teorias de conspiração e de golpismo diante de uma situação clara e sem qualquer manipulação da mídia — alguns seguem este caminho —, a pesquisa Datafolha divulgada no último final de semana deixa patente a falta de apoio popular ao governo de Dilma Rousseff (PT). Segundo o levantamento, apenas 12% dos brasileiros consideram bom ou ótimo o desempenho da presidente, enquanto mais de 60% consideram este segundo mandato regular, ruim ou péssimo. Com isso, fica bastante claro que as manifestações populares, além de legítimas, reproduzem com fidelidade o momento político do País.
Os seguidos escândalos de corrupção que vão surgindo na esteira da operação Lava Jato, que descobriu um esquema de distribuição de propinas a entes públicos e partidos políticos, chegam a causar asco. Agora, as investigações chegam ao Ministério da Saúde e à Caixa Econômica Federal, sempre com a participação do doleiro Alberto Yousseff, principal nome dos esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes que estão sendo apurados pela Polícia e pela Justiça Federal do Paraná. Além disso, também a Receita Federal deixa o noticiário econômico e já figura no policial por causa da corrupção sistêmica, que além de causar rombos nos cofres públicos deixa uma grande parcela da população sem atendimento de saúde, sem educação de qualidade e sem obras de infraestrutura.
As manifestações de domingo, mesmo menores do que as de março, ressaltam a indignação dos brasileiros que não aceitam mais conviver com uma classe política dissociada dos interesses de todos e com os que confundem o privado com o particular. Só não podemos compactuar com alguns grupelhos que defendem uma intervenção militar, principalmente quando se sabe que este não é o caminho. Um impeachment da presidente Dilma, que no momento não é possível por faltar uma base jurídica para tal, também não pode ser considerado, pelo menos por ora.
A pressão deve ser mantida numa tentativa de alertar aqueles que dirigem e legislam no País, sobre o fato de que a população brasileira não está mais refratária ao que acontece nos gabinetes e palácios governamentais. Ela, a população, está exigindo daqueles que foram eleitos para dirigir o País, lisura, responsabilidade e interesse pelos anseios da maioria. O Brasil só conseguirá atingir a sua plenitude democrática se os representantes eleitos começarem a cumprir as suas promessas de campanha, criando condições para que o dinheiro dos impostos deixe de ser desviado para bolsos de inescrupulosos. A corrupção brasileira, seja uma senhora idosa, como a considerou a presidente Dilma, seja uma jovenzinha, na avaliação recente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, tem mais é de ser delatada de todos os processos onde aparece. Ela é o poço sem fundo para onde vai o dinheiro dos brasileiros, espalhando mortes e sofrimentos pelo caminho ao impedir que todos tenham condições de vida satisfatórias.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.