Câmara some com depoimento que desmentia vereador Luiz Vergara


| Tempo de leitura: 3 min
Rejane Barbosa prestou depoimento ao Conselho de Ética da Câmara no último dia 1º de abril
Rejane Barbosa prestou depoimento ao Conselho de Ética da Câmara no último dia 1º de abril
O Conselho de Ética da Câmara acaba de dar mais uma mostra da “seriedade” com que está apurando a conduta de Luiz Vergara (PSB). Manter entre seus membros uma testemunha que defendeu o vereador na polícia e tentar transformar a vítima em culpado por ter levado um tapa na cara, não foi tudo. O Conselho, simplesmente, também não sabe onde foi parar a gravação do depoimento de Rejane Barbosa. Ela havia desmentido Vergara e negado que Hélio Vissotto o tivesse chamado de ladrão. 
 
O episódio todo teve início na sessão do dia 3 de março, quando foi lido um ofício comunicando que Vergara era o novo líder do prefeito Alexandre Ferreira, na câmara. O marceneiro Hélio Vissoto, que estava no plenário, ficou inconformado com a atitude de Vergara, por considerá-la incoerente. Vergara iniciou o mandato na oposição e, naquele dia, se tornou o responsável por defender as ideias de Alexandre. O vereador e o marceneiro tiveram uma discussão rápida e Vergara encerrou a conversa desferindo um tapa na cara do cidadão. A agressão foi tão forte, que os óculos da vítima voaram longe.
 
Aberto o processo de “apuração do tapa” Vergara justificar a agressão, ao Conselho de Ética, dizendo que Vissotto o havia ofendido. “Ele me agrediu e perguntou quanto custou, disse que fui comprado. Em seguida, me chamou de ladrão. Reagi para me defender”, disse, no dia 25. Mas o próprio Vergara mudou sua versão dias depois. Dia 27 de março, em entrevista ao Comércio, admitiu que não foi chamado de “ladrão” por Vissotto. “Perguntar ‘quanto’ no momento que você está negociando para ser o líder do prefeito...Quanto significa ser corrupto...”, respondeu Vergara ao ser indagado sobre a negativa de Hélio de tê-lo chamado de ladrão. 
 
Integrante da Udecif (União de Defesa da Cidadania de Franca), Rejane Barbosa tem o hábito de assistir às sessões da Câmara. Ela se encontrava ao lado de Vissotto no dia da agressão e ouviu toda a discussão que precedeu o tapa na cara. Em depoimento prestado ao Conselho, dia 1º, Rejane reforçou que Hélio não chamou Vergara de ladrão. “Minha verdade é uma só em qualquer momento. O Hélio apontou o dedo para ele, foi contundente e perguntou: ‘cadê a transparência?’. Em nenhum momento, o xingou”, disse ela.
 
O depoimento foi prestado no plenário, justamente para que fosse gravado, mas, na semana passada, o advogado de Rejane, Deny Eduardo, foi informado por um servidor da Câmara que a gravação não teria sido feita e que ela deveria ser ouvida novamente na última quinta-feira. Rejane alegou problemas médicos e não foi depor. 
 
Entrevistada pelo Comércio, ontem, ela disse ser inadmissível a falta de controle por parte dos integrantes do Conselho. “Não tem lógica o que estão fazendo. Eles estão de brincadeira. É uma palhaçada, uma falta de respeito com a gente”.
 
Até mesmo a defesa de Luiz Vergara que, em tese, poderia ser beneficiada com o sumiço da gravação, se irritou com a trapalhada. “É lamentável que Conselho de Ética seja tão desorganizado, que não se preocupe em arquivar os depoimentos. A perda é inestimável para a defesa. Este fato pode, inclusive, gerar nulidade, ou seja, tornar sem efeito nenhum todo o processo. Espero que o Conselho tenha a hombridade de investigar o que aconteceu”, disse o advogado Denílson Carvalho.
 
Presidente do Conselho, Pastor Otávio (PTB) admitiu que foi um fato grave o depoimento não ter sido gravado. Ele não soube dizer o que aconteceu. “Pedi ao presidente (da Câmara, Marco Garcia) para que tome providências porque, aqui na Câmara, acontecem coisas que a gente não sabe como. O funcionário (da cabine de som) falou: ‘eu apertei o botãozinho, a luizinha azul acendeu indicando que está gravando’. Chegou no fim, não tinha gravado nada”.
 
Otávio alega que a falta de gravação do depoimento não irá atrapalhar a apuração do caso. “Nós ouvimos o que ela disse e os principais pontos estão redigidos na ata. A gravação seria mais para arquivo”. Por causa do problema, o prazo para a defesa de Vergara apresentar as alegações finais, que venceria amanhã, foi prorrogado até a próxima segunda-feira.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários