A greve dos servidores públicos do município entra na terceira semana sem que haja alguma sinalização de avanço nas negociações entre Prefeitura e trabalhadores. Como o governo não fez nenhuma proposta, a categoria promete continuar de braços cruzados até que a Justiça decida o caso.
A esperança de que o impasse pudesse ser resolvido na última quarta-feira, quando Prefeitura e o Sindicato dos Servidores Públicos ficaram frente a frente no Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas, não se concretizou. Pior, atravancou ainda mais as negociações.
A audiência de tentativa de conciliação no Tribunal foi marcada por uma sequência de “nãos” por parte dos representantes da Prefeitura. A resistência do governo em negociar surpreendeu até mesmo a desembargadora Gisela Rodrigues Magalhães de Araújo e Moraes. “Doutores, assim não é possível. É preciso o mínimo de boa vontade para negociar. A Prefeitura precisa oferecer algo”, disse. Antes de encerrar os trabalhos, ela avisou. “Eu gostaria muito que, pelo menos, em um item das cláusulas econômicas, os senhores pudessem oferecer algum tipo de avanço para os servidores. Entendo as dificuldades, mas em um julgamento os senhores podem ser condenados e o dinheiro terá de sair de algum lugar, vale lembrar.”
A postura da Prefeitura impediu qualquer tentativa de conciliação. O dissídio e a greve agora irão a julgamento no Tribunal, ainda sem data marcada. O prefeito tem prazo até terça-feira para apresentar sua defesa. “Em seguida, tudo pode acontecer. Como a categoria está em greve, acredito que o julgamento acontecerá o mais rápido possível para solucionar o impasse e não prejudicar o andamento dos serviços”, disse Denílson Carvalho, advogado do sindicato.
Os trabalhadores estão confiantes que a negativa da Prefeitura em avançar o mínimo que fosse nas negociações possa representar em algum ganho durante o julgamento. “Juridicamente, esta postura de intransigência demonstra que a Prefeitura não quer negociar e irá contar a favor do Sindicato. É muito mais comum a negociação e o acordo, no TRT, do que o julgamento. A expectativa é de que os servidores ganhem alguma coisa”, concluiu Carvalho.
O presidente do Sindicato, Fernando Nascimento, disse que os trabalhadores vão se concentrar novamente diante da Prefeitura para protestar nesta segunda-feira. A mobilização continuará até que a Justiça do Trabalho faça o julgamento. “Estamos muito confiantes que teremos uma decisão favorável. Continuaremos parados até que haja uma decisão. Se voltarmos agora, a gente perde tudo.”
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