Dengue infesta periferia, já ultrapassa 411 casos


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A dengue, que vem castigando Franca desde o início do ano, é hoje a maior preocupação da Vigilância em Saúde da cidade. Nesta semana, o número de infectados chegou a 411 casos e a doença já é considerada uma epidemia (para ser epidemia tem de ultrapassar a barreira de 340 casos). Para se ter ideia da velocidade do avanço da dengue em Franca, por dia, são registrados em média 30 novos doentes. A região mais infestada é a periferia. Os bairros afastados concentram mais de 70% do total de casos da doença. E é justamente na periferia que o número de pessoas com a doença não para de crescer. 
 
Nesta semana, a Vigilância divulgou um ranking com os locais que concentram o maior número de doentes com dengue. A região Sul da cidade é disparada a mais infestada. Só no Complexo Aeroporto, que abrange os Jardins Aeroporto I, II e III e o Santa Bárbara, são quase 100 casos. 
 
Em outra extremidade da cidade, na região Leste, Jardim Paulistano I e II e Jardim Panorama concentram 55 casos. E a dengue agora começa também a aparecer na região Oeste, com 19 casos no Jardim Zelinda e no Jardim Pulicano. 

Assista:

O diretor da Vigilância, José Conrado Netto, disse que estamos enfrentando uma guerra contra o mosquito transmissor da doença e que, no estágio de epidemia em que a cidade se encontra, apenas as ações do Poder Público não são suficientes para conter o avanço da dengue. “As pessoas precisam entender que estamos em uma batalha em que cada um tem que fazer sua parte. Olhem cada cantinho da casa onde moram para ver se não há água parada. Já encontramos larvas do mosquito em tampas de refrigerante”. 
 
A explicação para que a maior parte dos casos esteja na periferia está relacionada, claro, ao número de habitantes e, principalmente, aos hábitos. Na periferia, é muito mais comum encontrar recipientes espalhados por quintais, garagens e terrenos baldios. Em muitas casas, também é comum a família acumular água em tonéis sem tampa. Todos objetos que podem se tornar criadouros para o mosquito da dengue.
 
Uma equipe composta por 50 profissionais foi especialmente destacada para combater os focos da doença. Uma vez identificado um caso positivo, a Vigilância destaca uma equipe para fazer uma varredura no raio de 200 metros da residência do doente. 
 
Além disso, cada caso é cadastrado na Vigilância, que estuda como o paciente contraiu a doença, onde, há quanto tempo e quais sintomas apresentou. O motivo de tantos cuidados é evitar que algum caso de dengue hemorrágica (muito mais agressiva e capaz de matar em 48 horas) passe despercebido e possa se espalhar. “Ainda não tivemos registro do vírus mais agressivo da dengue. Como estamos em uma área do Estado em que cidades próximas já tiveram a versão mais grave da doença, temos que estar alertas”, disse Netto. 
 
Além do combate aos focos da dengue, a Secretaria de Saúde ainda montou equipes especiais para atender aos doentes no Pronto-socorro Municipal e nos dois hospitais particulares. “Os doentes recebem uma cartilha pequena com todos os cuidados que devem ter e também os sinais de alerta para a versão hemorrágica. Além disso, estamos distribuindo soros para os doentes”, disse o diretor. 
 
Desde que a cidade entrou em epidemia, os exames de confirmação da doença deixaram de ser feitos. Agora o diagnóstico é por vínculo epidemiológico, ou seja, os pacientes que apresentarem três ou mais sintomas da doença já são automaticamente considerados positivos para a dengue. “A ideia é agilizar o tratamento e as ações de prevenção”, completou José Conrado Netto. 
 
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