Cem dias de solidão


| Tempo de leitura: 1 min
A presidente Dilma Rousseff completou cem dias de mandato praticamente isolada no Planalto. A solidão de Dilma é a face aguda de desentendimentos políticos que dificultam solução da crise econômica. Qualquer decisão que adote desagrada um ou mais segmentos. Indicação clara é o ajuste fiscal necessário à Nação, mas contestado pelo PT e setores mais à esquerda que não aceitam redução de benefícios para desempregados e pensionistas do INSS. Outro exemplo é o projeto de lei da terceirização, que desagrada a CUT, partidos da situação, movimentos sem terra e sem teto. Como agirá Dilma no momento de sancionar? Em contrapartida, a redução da maioridade penal, defendida por partidos da base de sustentação e oposição, não têm seu apoio.
 
Por tudo isso Dilma vem adotando medidas paliativas e não faz o que o Brasil precisa para retomar o crescimento econômico: juros e impostos menores; câmbio equilibrado; estímulo à competitividade industrial; investimentos em infraestrutura; garantia de energia e programa de enfrentamento à crise hídrica; financiamentos de longo prazo para médias e pequenas empresas; e política cambial mais equilibrada, que impulsione exportações sem exceder limites de desvalorização do Real toleráveis para quem compra tecnologia, insumos e bens de capital no exterior.
 
São providências essenciais para reanimar investidores e despertar o chamado ‘espírito animal’ dos empresários, invocado recentemente pelo governo. Chegou a hora da presidente fazer valer a legitimidade de sua eleição, ignorar o fisiologismo e atender aos anseios dos brasileiros, fazendo o que realmente o Brasil precisa. Ao contrário, transformará o Palácio do Planalto na mítica aldeia de Macondo, na qual se isolaram, em ‘cem anos de solidão’, os membros da família Buendía, personagens do consagrado Gabriel Garcia Marques.
 
Levi Ceregato
Presidente da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica)

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários