Nos últimos anos, o município vem sendo testemunha de uma série de fatos protagonizados pelos nossos administradores e legisladores eleitos, os quais, certamente, imaginam que formamos uma população de mais de 300 mil palhaços. Falta apenas a lona para transformar o município em um verdadeiro circo, com todos nós, de narizes vermelhos, no centro do picadeiro, para a diversão do prefeito, assessores e vereadores. Aliás, Franca se viu, nos dois últimos dias, como espectadora impotente de uma atração de gosto duvidoso, uma verdadeira afronta aos cidadãos de bem que aqui vivem, trabalham, produzem, pagam os seus impostos e tentam levar a sua vida dentro da honestidade e da legalidade.
Na quinta-feira, o teatrinho armado na Comissão de Ética da Câmara para julgar o tapa na cara que o vereador Luiz Vergara (PSB), líder do prefeito, desferiu contra o marceneiro Hélio Pinheiro Vissotto dentro do plenário do Legislativo francano, apresentou mais um ato. Desta vez, os trabalhos de ‘apuração’ do caso foram concluídos, com os depoimentos das testemunhas de defesa do político agressor. Pelo menos três delas não estavam no local quando o fato aconteceu, no dia 3 de março. Durante toda a sessão, os vereadores Jepy Pereira e Donizete da Farmácia, ambos do PSDB, deixaram clara a intenção de minimizar a falta de decoro de Vergara, preferindo ressaltar “a índole” da vítima que vai acabar se transformando em culpado pela agressão que ele mesmo sofreu. O tapa foi dado, registrado em vídeo e apenas isso deveria ser abordado. Pelo que se vê, falta seriedade àqueles que deveriam julgar com isenção, sem corporativismo. Já se sabe que a conclusão deste caso vai aumentar ainda mais o cardápio das pizzas assadas na Câmara.
No mesmo dia, a Prefeitura Municipal enviou quatro prepostos para participar da reunião de conciliação com o Sindicato dos Servidores Municipais no Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas, os quais deixaram claro que não tinham autonomia para negociar. Não apresentaram qualquer proposta ou fizeram avançar a negociação, o que fez a desembargadora Gisela Rodrigues Magalhães de Araújo e Moraes, que presidia a audiência, encerrar o encontro e declarar que o dissídio irá a julgamento.
Já ontem, todas as entradas da Prefeitura Municipal estavam guarnecidas por guardas civis municipais, que impediam a entrada de servidores ou de cidadãos ao prédio, numa atitude truculenta que só encontra paralelo em governos autoritários e na ditadura que manchou de negro a história do Brasil por mais de vinte anos. São fatos como estes que deixam Franca atônita, acompanhando as movimentações políticas que nos envergonham Brasil afora sem poder agir. Por causa da política que se pratica aqui, no Executivo e no Legislativo, com lances de baixa categoria, não apenas os servidores, mas também os cidadãos de bem levam tapas na cara no seu dia a dia, sem qualquer chance de revidar. Infelizmente, a resposta só poderá ser dada dentro de pouco mais de um ano, nas eleições proporcionais. Que ela venha com a força da indignação de toda a cidade.
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