Revoltados com a indiferença do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e os “nãos” ouvidos durante a audiência de tentativa de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas (SP), anteontem, os servidores municipais em greve realizaram uma manifestação ontem em frente à Prefeitura. Já são duas semanas de mobilização e nenhum avanço nas negociações. A administração municipal insiste na intransigência.
Nessa sexta-feira, os manifestantes se concentraram na rua Frederico Moura, onde permaneceram das 9 da manhã até as 13 horas. De acordo com o Sindicato dos Servidores Municipais, a manifestação reuniu cerca de 1.200 pessoas.
O presidente do sindicato, Luís Fernando Nascimento, diz que a Prefeitura se recusa até mesmo a abrir os portões para os grevistas. “Vários guardas tentaram impedir nossa entrada no Paço, tentando diferenciar quem estava na manifestação e quem estava ali por outras razões”, disse ele. “Os relatórios da própria Prefeitura apontam dinheiro em caixa. Gostaríamos de um aumento real de salário e do abono escolar. Como não quiseram conceder, lutamos por um reajuste no vale alimentação para chegar aos R$ 400”, disse. A Prefeitura oferece R$ 260.
Gritos de apoio e pedidos para continuar lutando pela causa ecoaram ao redor da Prefeitura. A indignação com o descaso da Prefeitura em relação aos problemas da cidade também foi alvo de reclamações. “Não é só o professor que está desvalorizado. São todas as categorias no governo do Alexandre. O que é notório é o sofrimento na feição das pessoas que trabalham no Paço Municipal, no setor de Obras, da área da saúde e de todos nós que trabalhamos pelo município. Queríamos um diálogo com o prefeito, mas, desde o início de seu governo, ele não deu nenhuma abertura e ainda tenta nos impedir de caminhar pelo Paço”, ressaltou Keisi Kelly Donzeli, professora da rede municipal.
Mariângela Teixeira de Sousa, também professora, engrossou o coro. “Gostaríamos que as aulas voltassem, mas precisamos que haja uma negociação com a Prefeitura. Além desta questão salarial, está o nosso desejo de condições melhores de trabalho e reduzir o número de alunos em sala. Meus estudantes não receberam sequer o kit que a Prefeitura distribui anualmente. Estamos em abril e até agora nada. É um absurdo”, disse.
Mobilização
Os funcionários municipais também usaram os microfones da rádio Difusora para se manifestar. O programa Hora da Verdade Itinerante, apresentado por Leandro Vaz, com comentários de Corrêa Neves Júnior, foi transmitido ontem da rua ao lado da Prefeitura.
Os manifestantes partilharam suas opiniões ao vivo, como o funcionário do setor de Obras, Marcos Melo. Ele destacou que os protestos estão mostrando a realidade vivida pelos servidores. “Além de sermos mal remunerados, temos de nos sujeitar a operar máquinas em condições precárias e ferramentas obsoletas. A população está acompanhando e vendo nossas dificuldades de conseguir até mesmo estabelecer um diálogo”, afirmou.
Ele se referia à audiência no TRT, que buscava um acordo entre servidores e Prefeitura. Porém, o próprio órgão desistiu das tentativas de conciliação pretendidas pelo sindicato, devido à intransigência da administração municipal. Com isso, agora cabe ao Tribunal cuidar do dissídio e da greve. O julgamento ainda não tem data marcada.
Para Nascimento, o resultado da audiência não modifica o quadro. “Continuaremos paralisados até o parecer da Justiça”, ressaltou.
Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Franca não se pronunciou a respeito. Um novo protesto em frente ao Paço está marcado para o dia 13 de abril, segunda-feira, às 8 horas.
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