Garcia ‘Otoni’


| Tempo de leitura: 3 min
Na última quinta-feira o CEO da Algar Telecom, Luiz Alberto Garcia, recebeu título de cidadão francano conferido pela unanimidade da Câmara Municipal a proposta do vereador Adérmis Marini. O mais novo filho adotado por Franca é dono de um império de telecomunicações construído pelo suor e determinação de sua família. 
 
Muitos se perguntam se houve razão na concessão. A verdade é que poucos conhecem a relação da Algar com Franca e a razão disso, está na nome da empresa. Quando a atual Algar Telecom surgiu em Uberlândia (MG), fundada por Alexandrino Garcia (pai de Luiz Alberto), o nome era CTBC (Companhia de Telefones do Brasil Central), e foi essa CTBC que aportou na cidade para cuidar da telefonia local. 
 
Mercê do trabalho de seus funcionários francanos, especialmente o gerente desbravador Luiz Márcio Otoni, ganhou logo o respeito da cidade. O nome Algar Telecom surgiu depois, quando Alberto Garcia desenhou a marca (associação do nome do pai, ALexandrino + GARcia), manteve a empresa familiar distante da sanha privativista do governo militar e a profissionalizou para competir com provedoras internacionais. 
 
Franca, no entanto, só ‘passou a considerar a empresa como sua’ por causa de Luiz Márcio, que, de office-boy a diretor, participou ativamente das causas da cidade, apoiou o que julgou justo e jamais fechou a porta de seu gabinete às pessoas.
 
Tive a honra de privar de sua proximidade. Conheci-o mais proximamente quando construi na cidade, apoiado por um grupo de amigos, de pessoas simples e empresários preocupados, o CVV (Centro de Valorização da Vida). Luiz Márcio criou o projeto de telefonia do centro de prevenção do suicídio e o doou à entidade. Nunca cobrou nada. Nem ele e nem a empresa que representava. 
 
Tenho Otoni integrando um grupo especial de pessoas que aprendi a admirar porque jamais permitiram que o poder que exercitavam lhes modificasse a humildade com que tratavam seus semelhantes, fossem poderosos ou, como ainda diz Dom Diógenes Silva Matthes, primeiro bispo de Franca, ‘o menor de todos’. 
 
Digo sem medo de errar que Luiz Márcio - de cuja presença física sua morte nos privou, mas não de seus exemplos -, tocava os negócios da CTBC/Algar e sua vida com a mesma competência e dignidade, estivesse em sua mesa de diretor da empresa que tornou vitoriosa numa terra estranha ou na simplicidade das mesinhas do ‘Bar do Meira’, onde se encontrava com seus amigos quase que diariamente, pós trabalho, e, espírita, os brindava com conversa franca e repleta de ensinamentos que serviram a tantos. Luiz Márcio não foi pouco. Basta lembrar que conseguiu aprovação de sua empresa, em 1993, para aqui implantar o primeiro sistema de telefonia celular do Brasil. Não foi na cidade-sede. Foi aqui. ‘Doutor Luiz’, como Luiz Alberto é chamado por seus próximos, tem o mérito de haver investido em Franca e lhe dado a condição de cidade sempre ‘à ponta’ de recentes tecnologias (a ‘ultrabanda larga’ é a mais recente delas), mas não é essa a razão deste texto. 
 
Podia ele ter utilizado sua fala à tribuna da Câmara, final da sessão de entrega de seu título, para engrandecer-se,ou à empresa, atitudes típicas de tantos, mas não fez isso. Mostrou-se reconhecido - virtude cada vez menos praticada por quem exercita poder em grandes corporações - a Otoni, e através dele dividiu as conquistas alcançadas em Franca com seus funcionários. Ficou muito claro que Garcia gosta de gente, já que sabe que sem  gente,  tecnologia de ponta não significa nada.  
 
Definem, Garcia e Otoni, espelhos virtuosos num país à deriva que valoriza, mais que homens de bem, bandidos. Os acertos da Câmara Municipal têm sido muito raros. Quanto acontecem, especialmente quanto a títulos de cidadania, vale registro. Este a Garcia, por exemplo.
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários