Aos 60 anos, Dorival Mourão Júnior foi eleito o novo presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca). Ele assumirá o cargo no dia 29 de abril, junto com a nova Diretoria Administrativa. Após quatro anos de mandato, José Alexandre Carmo Jorge cede sua cadeira a Mourão - como gosta de ser chamado - e se torna seu vice-presidente.
Essa inversão de papéis se dá pela semelhança ideológica no trabalho de cada um deles e pelo desejo de dar “continuidade sem continuísmo”, como o próprio Mourão define sua conduta para o próximo biênio de mandato. “Manteremos o que a gestão anterior trouxe, mas buscaremos novos projetos que beneficiem o setor comercial francano”, ressaltou.
Advogado, empresário, agropecuarista e um dos sócios da Quimifinish (empresa de produtos químicos para couro), Mourão revela ter como um dos seus objetivos, em meio aos desafios à frente da associação, resgatar as 329 vagas de estacionamento que foram abolidas em agosto de 2013 pela Prefeitura de Franca, sob justificativa de melhorar o fluxo de veículos na área central da cidade. Outro projeto é a criação de uma “Acif móvel”. Trata-se de um veículo que funcionará como uma unidade móvel de negócios, levando às empresas da cidade os serviços que associação oferece rotineiramente. Leia mais sobre os projetos e perspectivas do novo presidente da Acif para Franca em sua entrevista para o Comércio, a primeira concedida após a eleição.
O que espera fazer pela Associação do Comércio e Indústria de Franca como presidente?
Nossa plataforma de trabalho, conforme apresentamos ao Conselho Deliberativo na eleição do dia 8 de abril, visa à uma continuidade do que temos feito, e não continuísmo. Gosto de diferenciar estes termos. É inegável que o trabalho tem sido bem desempenhado em todos esses anos e possui uma estrutura extremamente sólida que pretendemos seguir. Mas isso não significa que não buscaremos novos desafios e melhorias para todo o setor comercial da cidade.
Quais são seus principais objetivos para esta gestão?
No planejamento, que é feito de forma antecipada, já existem projetos e cronogramas para o ano inteiro. Eles ilustram as nossas campanhas em datas comemorativas, como Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais e Natal. Quando acontece a sucessão de modo tranquilo e sem disputas, há uma continuidade do trabalho anterior. Porém, não há nada que não possa ser mudado para melhor. O mercado precisa de novas ações que sejam boas como as anteriores, e, por isso, quero levar a Acif até os nossos associados e também até os novos.
A luta para recuperar as vagas de estacionamento do Centro que foram abolidas pela Prefeitura vai continuar?
Quando falamos de uma determinação pública, dificilmente o fato estará acabado. Os comerciantes continuam reclamando sobre este problema com as vagas de estacionamento no Centro que foram reduzidas. É evidente que isto modificou o cenário comercial da cidade. Os acontecimentos têm comprovado a veracidade do slogan criado pela Acif: “O trânsito anda e o comércio pára”. Se o consumidor não tem acesso nem onde estacionar para ir às lojas, o setor paga um preço por isso. Os movimentos sociais dos comerciantes e da população são fortes. A Acif continuará lutando pelo retorno das vagas de estacionamento no Centro de Franca.
Qual sua opinião a respeito de feiras itinerantes?
A Acif é uma entidade de classe. Defendemos os empresários francanos. Somos a favor da legalidade, que deve ser respeitada, sem reserva de mercados. Há espaço para todos e, se estiver regularizado, Franca só tem a ganhar.
Recentemente, o Shopping do Calçado trouxe o 1º Festival de Food Trucks (em março, diversos caminhões e “restaurantes sobre rodas” participaram). Uma multidão participou, embora alguns comerciantes não tenham aprovado. Como enxerga esta questão?
Estes food trucks são uma moda e foram um sucesso em Franca. Nos mesmos dias do evento, os bares e restaurantes da cidade estavam lotados, o que aponta que apenas ganhamos com isso.
Qual trabalho deseja implantar para ter mais associados, além dos 3700 que já fazem parte da Acif?
Acho que a forma de aumentar este número e auxiliar nossos comerciantes é implantar o projeto de uma unidade móvel de negócios. Será um veículo que circulará pelo comércio de Franca para levar todos os serviços disponíveis da associação aos estabelecimentos já cadastrados e também aos que ainda não fazem parte da Acif. É mais interessante e mais viável que abrir várias filiais, pois, assim, podemos prospectar novos associados. Ainda estamos definindo quando começará o trabalho e alguns detalhes, como o tamanho desse veículo, por exemplo, que funcionará como uma “Acif móvel”.
Além da possibilidade de levar a Acif até os comerciantes da cidade para difundir os serviços prestados, o que mais o senhor almeja?
De uma forma geral, tudo o que planejamos passa pelo objetivo de levar a Acif até o associado. Por exemplo, a Câmara de Mediação e Arbitragem de Franca, que possibilita a solução de litígios através de mediação, arbitragem e conciliação, será muito mais divulgada do que é atualmente. É um processo longo, pois teremos de desconstruir uma ideia de justiça pública e divulgar uma ideia de justiça privada. O nosso setor jurídico, que é interno, também passará por mudanças. Queremos que ele seja ativo para que nossos advogados possam ir ao comércio do associado prestar os serviços e assessorar. O foco, como eu disse, está voltado para a possibilidade de levar a Acif aos nossos empresários.
O que os comerciantes francanos podem esperar em termos de novidades a respeito dos serviços disponibilizados pela Acif?
Somos uma entidade de classes e congregaremos mais. Disseminaremos nossas questões, levaremos ao associado ferramentas de trabalho que possam melhorar seus negócios. Temos serviços espetaculares disponíveis na Acif. São treinamentos, cursos, a Cred-Acif (Cooperativa de Crédito) e outras modalidades para nossos associados. Quero, principalmente, aperfeiçoar os treinamentos e colocá-los de forma continuada ao invés de pontual.
Ao ser eleito, o senhor mencionou que é necessário agir de modo mais conservador, mas sabendo aproveitar as chances que o mercado tem oferecido. Como pretende atuar? Terá contenção nos gastos?
Não há nenhuma restrição orçamentária, pois o planejamento da associação está feito desde o ano passado e não haverá contenção de despesas. Queremos minimizar os riscos existentes sem cortar os investimentos. Sou realista e sei que este momento não é para apostas. Precisamos criar uma base e solidez. Temos duas vertentes para lidar: a externa, que é inevitável e só podemos tentar conter os problemas, e a interna, em que podemos atuar, inovando em nossos negócios, independente do período ser ou não de crise no país. É um ano de oportunidades para os que possuem planejamento, organização, visão e almejam o sucesso de seus negócios.
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