Efemérides


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Chega abril, o céu fica azulzinho depois que amanhece. Acordar cedo nessas manhãs é quase heresia, porque não há nada mais convidativo que permanecer entre leves cobertores meio dormindo no escurinho do quarto, a saborear os momentos nos quais os sonhos mais absurdos tomam ares de plausibilidade. Porém de que outra forma ver as cores que celebram a chegada do Sol no horizonte? É Outono. E a alvorada nesta estação do ano é linda como a princesa Aurora, xará e deusa do amanhecer na mitologia romana. 
 
Abril é mês importante. Embora comece com o dia da Mentira, exibe carteira de grandes efemérides: quase sempre é a comemoração da Páscoa cristã, por exemplo. 18 de abril de 1857, Hyppolyte Léon Denizard Rivail, que conhecemos como Allan Kardec publica O Livro dos Espíritos e dá início à chamada codificação da doutrina espírita. 21 de abril de 1960 Brasília foi inaugurada no planalto central brasileiro por Juscelino Kubitscheck e se tornou formalmente a terceira capital do Brasil depois de Salvador e Rio de Janeiro. Num dia 16 de abril de 1984 um milhão e meio de pessoas se reuniram no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, gritando pelas Diretas Já. Embora a emenda das Diretas fosse rejeitada dias depois no Congresso, foi um começo. Um bom começo. Quando ouço falar de censura nos jornais, revanches, golpes, manobras políticas no Congresso, lembro-me particularmente da década de 80. Arrepia-me pensar que o governo atual tenta ressuscitar tais doenças, pois que aprendidas com os militares. 
 
São de abril, cidadãos do mundo importantes como Martin Luther King, do I Have a Dream, e Giovanni Giacomo Casanova, italiano aventureiro e conquistador de corações femininos que influenciou, fez escola e muita inveja em todos os homens que vieram depois dele. Hans Christian Andersen, do Soldadinho de Chumbo, O Patinho Feio e da Sereiazinha nasceu na Dinamarca também nesse mês e a psicologia nunca mais foi a mesma. Nem só de alegria vive o quarto mês do ano. É data da morte do Papa João Paulo II, em 2005 e, durante o triste transcorrer da Segunda Guerra Mundial, é quando Hitler aprova o plano de invasão da Dinamarca e Noruega. 
 
Comemora-se o Dia do Índio no mesmo dia que foi instituída a data da Tolerância, Pluralismo e Convivência pelos judeus: 19 de Abril. Pura coincidência, mas seriam dois excelentes motes para se pensar sobre até que ponto somos abertos e tolerantes com divergências, diferenças, escolhas, discrepâncias vindas do próximo. É nesse dia, também, que se comemora o aniversário do rei Roberto Carlos. Na família o mês começa com festa e transcorre com alegria. Muitos são os aniversários, desde o primeiro até o último dia: filha, sogro, sobrinhos, irmãos, avós, mãe, neta, amigos, além das comemorações de outros eventos familiares: haja bebidas, salgadinhos e bolos. 
 
Outro motivo para elevar o mês, desta vez no bloco Cidadania, como provável marco histórico na vida dos brasileiros que contribuem, mas não dependem das benesses do governo federal. Longe de criticar ou retirar benefícios que as classes necessitadas ganharam, serão três as principais reivindicações da manifestação marcada para 12 de abril de 2015: redução do número dos ministérios e consequente diminuição da burocracia e gastos desnecessários para acalmar descontentes políticos; transparência de dados e empréstimos do BNDES que administra recursos resultantes de contribuições — compulsórias — através dos salários dos brasileiros, e impedimento do ministro Toffoli para compor o grupo que julgará ações nas quais o PT está envolvido até a medula. Por sua posição ideológica, ele deveria se sentir inconfortável tanto para aceitar o cargo quanto para julgar quaisquer ações, depois de reprovado em concursos para a magistratura. Na espera de céu azul, sol amarelo, verde das plantas e branco nas nuvens da paz, tipicamente aprilinos, transmito-lhe o convite: ‘Vem pra rua!’ 
 
 
Lúcia Helena Maníglia Brigagão
jornalista, escritora, professora - luciahelena@comerciodafranca.com.br
 

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