O Conselho de Ética da Câmara foi convocado no começo de março para apurar a conduta de Luiz Vergara (PSB). Em tese, ele deveria ser investigado por quebra de decoro parlamentar. Na sessão do dia 3 daquele mês, o vereador deu um tapa na cara do marceneiro Hélio Pinheiro Vissotto, durante a sessão ordinária, dentro da Câmara. Os trabalhos de “apuração” do caso foram concluídos, ontem, com os depoimentos das testemunhas de defesa do político agressor. O relatório final deve ser apresentado na próxima semana. Se alguém espera uma punição rigorosa, vai se frustrar.
Vergara poderia ter se dado ao luxo de dispensar as testemunhas e a advogada que acompanhou os depoimentos. Ficaram explícitos os esforços de Jépy Pereira e Donizete da Farmácia, ambos integrantes do Conselho e filiados ao PSDB, para tentar justificar a agressão cometida pelo líder do prefeito e culpar a vítima pelo tapa que levou.
Foram ouvidos os vereadores Laercinho (PP) e Cordeiro (PSB), o assessor-legislativo do prefeito, Edvaldo Costa, e os servidores Carlos Evangelista, Ademir da Rosa e Fabiano Segismundo. Os três últimos admitiram que não estavam no plenário e, portanto, não viram o tapa. “Não me lembro se estava em casa ou no Fórum na hora”, disse Segismundo.
Mas, para o Conselho, não importou se as testemunhas não viram a agressão cometida pelo vereador. Com a exceção de Pastor Otávio, que fez perguntas pertinentes ao caso, os outros dois membros abordaram discussões anteriores e atuaram para minimizar a atitude de Vergara e tentaram convencer que Vissotto teria merecido levar o tapa.
Donizete quis saber de todos os depoentes como era o comportamento de Vissotto e Vergara no dia-a-dia. Jépy chegou ao ponto de perguntar a Laercinho se o tapa na cara não teria sido uma situação “montada”. Ouviu que não. Outra pergunta feita pelo mesmo Jépy, a Fabiano Segismundo, mostrou a extensão da “imparcialidade” com que ele julga o caso. “Se você ficasse frente a frente com este cidadão e ele dissesse tudo o que falou de você no Facebook, que você é moleque, intelectualzinho, um bosta, você teria a mesma reação (que o Vergara)?”. Com a bola levantada, a testemunha cortou. “Provavelmente, teria reação pior”.
Mesmo com o tratamento “vip”, a defesa de Vergara ainda reclamou que os depoimentos foram transmitidos pela TV Câmara e que seu cliente foi prejudicado. Presidente do Conselho, Pastor Otávio (PTB), disse que havia dado ordens para que não fosse feita a transmissão e que não sabia quem havia o desobedecido.
Agora, Vergara terá cinco dias de prazo para apresentar suas alegações finais. Em seguida, o relatório final será apresentado.
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