A tese defendida pelo juiz Sérgio Moro e pela Associação dos Juízes Federais (Ajufe), de mudar a legislação para que condenados por crimes graves, especialmente os de corrupção, lavagem de dinheiro e peculato esperem presos pela tramitação dos recursos, é verdadeiro tiro na impunidade, e precisa ser adotado sem demora.
Na prática, já acontece a réus condenados por tráfico de drogas e boa parcela de pobres que não têm dinheiro para pagar bons advogados. Causa nojo encontrar ver abutres libertos, andando por aí como se nada tivessem feito. Pior ainda é saber que esses, mercê de recursos ‘cavados’ por bons defensores, têm prescritos os seus crimes sem sofrem mínima punição. É daí que vem a consciência que ‘cadeia foi feita para pobre e outros ‘pês’.
O juiz federal Sérgio Moro, da Lava Jato tem, junto ao MP e Polícia Federal, estrutura moral para defender esse endurecimento. Trancafiaram altos executivos da Petrobras, dirigentes de empreiteiras e atravessadores poderosos que captavam e lavavam o dinheiro da corrupção em benefício de partidos políticos e de detentores de mandatos que hoje são processados nos tribunais superiores. Se sua tese restar vitoriosa, poderemos, enfim, ter um Brasil mais justo e menos corrupto, mas não é só.
Vivemos grande crise de segurança pública, e sem volta. Por mais que polícias trabalhem e prendam, temos de encontrar o elo perdido que continua levando brasileiros esfomeados ou certos de que a impunidade compensa, a optarem pelo crime.
Têm de ser identificados, processados e levados a estabelecimentos capazes de recuperá-los ao convívio social, o que hoje não ocorre no desumano sistema carcerário que prospera dominado pelo crime organizado neste país.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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