Recentes pesquisas de avaliação do desempenho da presidenta Dilma e de sua equipe de governo, indicam uma vertiginosa queda na confiança da população nela e em seu governo.
O número é alto e assustador: 74% da população. Em outras palavas, a maioria expressiva dos brasileiros não confia mais. Talvez seja um percentual superior ao que teve Fernando Collor no auge do processo de impeachment.
Qual a causa dessa queda, ocorrida menos de quatro meses após a posse de Dilma Rousseff para cumprir seu segunda mandato?
Para especialistas, a causa seria o escândalo da Petrobrás. O que já foi apurado pela operação Lava Jato indica valores astronômicos, tão altos que já tornaram o ‘mensalão’, crime de menor potencial ofensivo, algo que, jocosamente falando, poderia ter sido julgado por um Tribunal de Pequenas Causas.
Para outros analistas, o fator preponderante é crise política que torna o país quase ingovernável. Está muito evidente que os partidos da base aliada entraram em quase irreversível rota de colisão.
O PMDB, partido reconhecidamente fisiológico, dá sinais de querer sair do governo antes da previsível derrocada. Já o Partido dos Trabalhadores não tem hoje, em seus quadros, um timoneiro com competência para levar o barco a algum porto seguro.
Comungo do pensamento daqueles que atribuem a crise de popularidade da presidenta a um conjunto de fatos, inclusive e principalmente, a situação econômica do país que obrigou a adoção de medidas amargas para equilibrar contas públicas. Sabe-se — e não é de hoje —, que o órgão mais sensível do corpo humano é o bolso.
Mudar a Previdência e o Salário Desemprego desagradou setores importantes da sociedade. Resta a ela, agora, demonstrar que é capaz de atravessar essa tormenta sem risco de naufrágio.
Navegar com mar calmo, como ocorreu no primeiro mandato da presidente Dilma, convenhamos, não seria tarefa difícil para ninguém.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
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