O Senado Federal pode perder uma grande oportunidade de destravar mais uma “caixa preta” do governo federal: após a retirada de seis assinaturas de senadores governistas, está ameaçada a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as operações do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), apresentada pela oposição. Com a retirada de seis apoios, o requerimento não atinge as 27 assinaturas, número mínimo para que a comissão seja efetivamente criada. A decisão partiu de senadores da base aliada (dois do PMDB, dois do PSD, um do PDT e outro do PP) e praticamente inviabiliza a formação da CPI, já que a oposição havia conseguido 28 assinaturas e teve que recuar da leitura do requerimento.
Se os seis senadores do PSB, que têm atuado de forma independente ao governo federal, assinarem o documento, o pedido ainda pode ser apresentado, mas a própria oposição tem demonstrado certo ceticismo com essa possibilidade, por causa da atuação firme do Palácio do Planalto para evitar qualquer investigação sobre os empréstimos do banco de fomento, os quais têm sido alvo de suspeitas nos últimos anos. Para o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), que lidera o movimento de instalação da comissão, a pressão para não criar a CPI do BNDES decorre do fato de que a comissão tem potencial de originar um escândalo maior do que o que envolve a Petrobras. Bandeira da oposição desde o fim do ano passado, a CPI tem por objetivo apurar irregularidades nos empréstimos concedidos pelo BNDES tanto a entidades privadas, como a governos estrangeiros a partir do ano de 2007.
Todas as movimentações do banco de fomento, criado para emprestar a juros subsidiados e assim impulsionar a economia brasileira, precisam mesmo ser investigadas. Os financiamentos para países como Bolívia, Venezuela e Cuba, alinhados com a ideologia do governo petista, provocaram uma série de críticas, principalmente em razão da natureza das obras. Em Cuba, por exemplo, foram financiadas a construção de um moderníssimo porto e a reforma do aeroporto de Havana. É uma decisão arriscada junto à opinião pública, quando se sabe que os portos brasileiros convivem com infraestrutura obsoleta e falta de investimentos. Mesmo a destinação de recursos a empresas brasileiras é questionável, por causa do envolvimento de algumas das empreiteiras no “clube da propina da Petrobras”.
Ao barrar a CPI, o governo aponta para uma só conclusão: o Planalto tem algo a esconder, já que impede qualquer verificação nas contas do BNDES. Caso não houvesse problema, a instalação da comissão daria chances ao governo de provar a lisura das operações. Quem acompanha a Operação Lava Jato percebe com clareza, a despeito das negativas da Petrobras e do governo, que a corrupção continua ativa no País. Não apenas a “caixa preta” do banco precisa ser aberta. Várias outras estatais e autarquias, como a Eletrobras, precisam ser investigadas. Para o bem do Brasil e dos brasileiros.
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