Operação Lava Jato


| Tempo de leitura: 3 min
Ao chegarem à sessão de terça-feira, os vereadores encontraram quatro folhas de papel viradas sobre suas mesas. Eram cópias da prestação de contas feitas por Márcio do Flórida (PT) à Justiça Eleitoral. O vereador foi candidato a deputado estadual em 2014. Com gastos declarados de R$ 693 mil, sua campanha foi a segunda mais cara. Perdeu apenas para Roberto Engler (PSDB), que declarou R$ 1,5 milhão. Não é o valor que trouxe o assunto à tona novamente. Os gastos dos candidatos já haviam sido divulgados pelo Comércio em novembro. O que chamou a atenção nas cópias distribuídas aos vereadores foi uma informação destacada com caneta marca-texto na segunda página. Um depósito em espécie no valor de R$ 16 mil e uma transferência eletrônica de R$ 40 mil na conta do então candidato feitos pela UTC Engenharia. A empreiteira, cujo presidente está preso desde novembro, é investigada na Operação Lava Jato por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. É suspeita de pagar propinas para conseguir outros contratos públicos, além do setor de óleo e gás. 
 
Retaliação: Márcio do Flórida diz que os valores doados pela UTC vieram dos candidatos a federal Adauto Scardoelli e Arlindo Chinaglia, com quem dobrou. “As doações foram legais. Não existiu caixa dois, ao contrário de outras candidaturas. Tudo foi recebido legalmente. Durante a campanha, eu não tinha condição de saber se essa empresa estaria sendo investigada pela Polícia Federal.” O vereador diz não conhecer ninguém da UTC e afirma que a exploração do fato seria uma tentativa dos aliados do prefeito de prejudicá-lo por causa da postura combativa que adota. “Os papéis foram colocados nas mesas dos vereadores anonimamente, na surdina. O que está acontecendo é uma retaliação às minhas posições na Câmara. Terceiros já foram usados para entrar com procedimentos contra mim, pedindo até minha cassação.”
 
Suspeição: Márcio é investigado pela Corregedoria da Câmara por acumular as funções de vereador e oficial de Justiça. A “denúncia” seguida do pedido de cassação foi feita logo após Jépy Pereira (PSDB), presidente da Corregedoria, ter dito durante sessão que iria “fod...” o petista. Ontem, os demais membros da comissão elaboraram parecer pedindo o afastamento de Jépy da apuração do caso. Adérmis deve assumir o seu lugar.
Onipresente: Denílson Carvalho é advogado do vereador Luiz Vergara (PSB) e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais. Nesta quinta-feira, tem depoimento das sete testemunhas de defesa do vereador, na Câmara, e audiência do dissídio dos trabalhadores em Campinas. Aposto que ele vai para Campinas e que deverá mandar um assistente para acompanhar o caso do tapa na cara.
 
Mordaça: Velhos caciques do PMDB, alguns deles dependurados em cabides na Prefeitura, estão se articulando para tentar calar Daniel Radaeli, que tem sido contundentes nas críticas ao prefeito. O delegado ignorou os convites do partido para reuniões e avisou que não mudará sua postura.
 
‘Big Brother’: Cézar Lima foi candidato a vereador em Guarapuava (PR), em 2012, e apareceu no Fantástico como um dos candidatos mais bizarros do país. Obteve apenas 57 votos. Anteontem, se tornou o campeão do BBB15 e levou o prêmio de R$ 1,5 milhão.
 
Informação garantida: Participei da ação do GCN em prol de Davi Miguel. Como já era assinante, vou doar a nova assinatura para o prefeito. Será uma forma de ajudá-lo a saber o que está acontecendo na cidade...
 
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários