Morre Ademar Tavares, último soldado francano na Segunda Guerra Mundial


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Ademar Manoel Tavares, 93 anos, será sepultado hoje, no Jardim das Oliveiras, com honras do Tiro de Guerra
Ademar Manoel Tavares, 93 anos, será sepultado hoje, no Jardim das Oliveiras, com honras do Tiro de Guerra
Ademar Manoel Tavares, francano convocado para lutar na Segunda Guerra Mundial, morreu ontem, aos 93 anos, de causas naturais. Era o único vivo dos 22 soldados francanos que bata-lharam em nome do Brasil. Ele deixa seis filhos, dezesseis netos e dezoito bisnetos.
 
Homem simples e rústico, como define seu filho, Jerônimo Tavares Neto, Ademar pouco falava sobre a guerra. “Meu pai costumava comentar mais sobre os costumes dos italianos, as cidades que conheceu e o que vivenciou, mas, nos últimos anos, não falava sobre suas batalhas”, disse.
 
Ao lado de 5 mil soldados brasileiros, Ademar fez parte do grupo de trabalhadores rurais convocados pelo go-verno de Getúlio Vargas para representar o país na guerra. Em 1943, nos quartéis de Pindamonhangaba, Lins e Rio de Janeiro, recebeu ins-truções de combate e foi enviado para a Itália. Tavares lutou nas cidades de Barga, Luca e Montese. Na última, perdeu parte de dois dedos da mão direita, após ser atingido por estilhaços de uma granada. Mas, nem por isso foi dispensado. Ele voltou à batalha dias depois, no Vale do Rio Pó, onde ficou até retornar para o Brasil, no dia 18 de julho de 1945. Após o fim da guerra, Ademar foi trabalhar em uma fazenda como serralheiro e, após alguns anos, ingressou no DER (Departamento de Estradas de Rodagem), onde ficou até se aposentar.
 
Em 2004, o antigo soldado sofreu um grave acidente ao ser atropelado e jogado no córrego dos Bagres, na avenida Doutor Hélio Palermo. O médico classificou sua sobrevivência como um “milagre”. “Meu pai quebrou a coluna cervical e machucou muito. Ficou 96 dias com colete de aço até apresentar melhora. Como nos tempos de guerra, ele permaneceu forte e se recuperou”, contou Jerônimo.
 
Ademar Manoel Tavares nasceu, viveu e morreu no bairro Miramontes, e dedicou sua vida à família e ao trabalho no DER. “Meu pai sempre foi um homem que resistiu a tudo, e não gostava nem de ir ao médico. Foi assim a vida toda”, lembra Jerônimo. “Ele dizia: ‘Quando fui pra Guerra, passei por 12 médicos. Eu não tenho nada. Não sofro de nenhum mal, apenas ve-lhice’”, completou o filho.
 
Ademar Tavares será sepultado no cemitério Parque Jardim das Oliveiras hoje, às 9 horas, e o Tiro de Guerra fará um cortejo em sua homenagem.

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