Educação e política


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Os professores continuam em greve. Triste ver essa repetição com uma das profissões mais importantes de uma nação. Pode-se medir a cultura de um povo pela educação que possui. É pelo trabalho de professores que o ser humano adquire instrução/educação. Para se expressar o ser humano utiliza-se da linguagem, linguagem que também o professor exercita em sala de aula e se tornam espelhos para seus alunos. Sabem, melhor que ninguém, que na transmissão de conhecimento há ruídos e que saber filtrá-los é dom só de humanos. 
 
Os atuais professores lidam com cenários caóticos. Então, tem que ser ‘político’. Políticos, os profissionais, utilizam-se da educação como plataforma de governo, mas, depois de eleitos, deixam de prioriza-la como prometeram. Na relação entre educador e alunos — igual entre os políticos e eleitores —, tem que existir relação de subjetividade. O bom educador, ou político, é dotado de dom e deve, no seu mister, buscar hominizar (fazer alguém se tornar gente, pessoa humana), singularizar (reconhecer como ser individualizado, mas inserido na sociedade) e socializar (fazer com que a pessoa humana conviva com as regras sociais instituídas). Para Paulo Freire, ‘estudar não é um ato de consumir ideias, mas de criá-las e recriá-las’. 
 
Em assim sendo, que os educadores exerçam o direito de greve até para ensinar que direitos são conquistados, e que docência é profissão indispensável à transformação do ser humano. Que os políticos ouçam as reivindicações e as resolvam, pois lugar de educador é no ambiente escolar/educando e não nas ruas protestando. Cada dia de greve implica em perda de conhecimento a alunos. Valorizem os educadores e nossos filhos/cidadãos sentirão valorizados por tabela. Todos somos, e não podemos nos esquecer, reflexos dos professores que tivemos! 
 
Acir de Matos Gomes
advogado, professor universitário

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