Corrupção e prejuízos


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Os esquemas de corrupção dominam o noticiário nos últimos meses, principalmente depois da Operação Lava Jato (que descobriu um “clube” de empreiteiras que distribuía propinas a entes públicos, entre eles diretores da Petrobras, políticos e partidos). Agora, outras investigações mostram que a corrupção se estende para outros órgãos da administração pública, chegando até aos governos municipais — e a fraude das creches está aí para colocar Franca neste rol. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Sérgio Costa, já havia garantido, durante depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Congresso, que cada obra pública do País, em todos os níveis, era alvo de desvios. Costa é um dos principais delatores do esquema que funcionava na maior estatal brasileira.
 
Todo o dinheiro que escorre pelo ralo da fraude, da ilegalidade e da imoralidade tira recursos não apenas das obras públicas, mas também de setores prioritários para a maioria da população como saúde, educação e saneamento básico. São bilhões de reais desviados a cada ano e, pelo que se vê no noticiário das últimas semanas, continuam saindo dos cofres públicos para contas secretas em paraísos fiscais espalhados pelo mundo, principalmente Caribe e Suíça. Com isso, a nossa população se ressente de melhor atendimento médico, escolas capacitadas para proporcionar um ensino adequado e tratamento de água e esgotos, importante para a redução de doenças e mortalidade em pontos mais remotos de nosso Brasil.
 
Para se ter uma ideia, a corrupção que depenou a Petrobras vai retirar entre R$ 97 bilhões e R$ 100 bilhões da economia do país neste ano, o equivalente a 2% do PIB (Produto Interno Bruto). A retração nos investimentos da petroleira, associada ao encolhimento do setor de construção civil, será responsável pela perda de 1,3 milhão de empregos, de R$ 15,3 bilhões em salários e de R$ 6,4 bilhões em impostos, além de provocar uma onda de inadimplência. São números superlativos, aos quais se junta todo o dinheiro desviado para políticos e legendas, além dos operadores do esquema. Contabilizando-se os outros esquemas denunciados recentemente — além de vários ao longo das décadas —, é uma quantia considerável que poderia estar dando melhor condição de vida a milhões de brasileiros que ainda vivem no limite da pobreza e da miserabilidade.
 
A partir do escândalo das propinas na Petrobras espera-se que os órgãos competentes — Polícia Federal e Ministério Público — tenham todas as condições de investigar e apurar os desvios em outras entidades públicas, sejam elas federais, estaduais ou municipais. Estes órgãos não podem sofrer interferências ou ingerências de quem quer que seja para que o Brasil comece a colocar em pratos limpos toda a corrupção que corrói os cofres públicos do País. Todos, seja quem for, precisam ser investigados, processados e, se condenados, cumprirem as penas determinadas pela Justiça. Só assim é que será feita a verdadeira justiça social, com o dinheiro dos impostos beneficiando quem realmente necessita e não os bolsos daqueles que se locupletam.
 
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