Correndo da crise


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Tenho encontrado desânimo, desmotivação e frustração nas visitas a clientes, e é compreensível diante da sucessão de notícias alarmantes, crise política, moral e institucional. Tentado a cair na mesma situação, lembrei-me de história deliciosa. Nossos corredores ‘medalha de prata’ no revezamento nas Olimpíadas de Sidney em 2000, Claudinei Quirino, André Domingos, Edson Luciano e Vicente Lenilson treinavam em Presidente Prudente (SP). De repente, um ladrão pulou o muro para roubar roupas que estavam no varal. Foi surpreendido. Apavorado com os aqueles negões, correu pela rua, nossos atletas atrás. Escapou! “Pô, o cara era muito rápido” disse gargalhando um dos corredores medalha de prata na Olimpíada!
 
Poucos conseguem performance fora da média em ambiente de segurança e tranquilidade. É na fronteira do perigo que está a motivação, a explosão de adrenalina para superar limitações. Foi isso que fez o ladrão ganhar dos campeões olímpicos na corrida! Não sei como é com você, mas comigo, quando bate frio no estômago, alerta de perigo, em vez de ficar paralisado sou empurrado para oportunidades. Meus sentidos ficam em alerta, a respiração ofegante, o sangue circula mais rápido, me preparo para algo que poderá ser ruim. Esse estado de alerta paralisa alguns, mas quem conhece o processo e sabe utilizar, tira dele a energia para arrancadas em direção à solução de problemas. 
 
Este ano me pegou em mudança de escritório, de casa, de portal, investimentos importantes. Acendeu alertas e me obrigou a sair da acomodação.O resultado é que criei um novo podcast, preparei mais um livro, passei a visitar clientes novos com propostas também novas e há oportunidades em vista. Tudo em três meses. Vi a crise correndo atrás de mim e disparei na frente! Mas Luciano, não é hora de correr riscos! Pois é. Mas qual é mesmo a opção para não correr riscos? Faça nada. Diga nada. Seja ninguém. É muito arriscado.
 
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrantes, cartunista

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