Paralisia criminosa


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O erro é inerente à condição humana. Erra-se por inexperiência, por covardia, por maldade, por ódio... Mas errar por omissão é mais grave, quando se sabe que uma providência quase insignificante seria capaz de evitar um mal maior. E é assim que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) vem agindo diante da greve dos servidores municipais. Em vez de enfrentar o problema, prefere esconder-se em seu gabinete no Paço Municipal, observando de longe a movimentação, como se nada fosse com ele. Mais uma vez deixa a cidade abandonada, quando o momento exige uma tomada de posição enérgica, reabrindo as negociações com a categoria no sentido de evitar prejuízo maior para as centenas de milhares de francanos.
 
Aparentemente desprovido de bom senso ou inteligência política, o chefe do Executivo inicia um cabo de guerra com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais que não interessa a ninguém: nem a ele, nem ao funcionalismo e muito menos aos francanos. Hoje a cidade vive uma semiparalisia criminosa que impede que alunos prossigam seus estudos (e não sejam prejudicados em suas férias com uma necessária reposição de aulas), além de reduzir o já precário atendimento nas Unidades de Saúde do município. Mesmo diante deste quadro, a Prefeitura se nega a negociar diante da recusa dos servidores em aceitar os valores propostos pelo prefeito. Claro que há que se ter bom senso, não fechar negociações descabidas, mas o diálogo tem que se manter aberto. Sempre. 
 
Com uma semana de greve, não há indícios de que exista qualquer possibilidade de negociação ou acordo, principalmente porque Alexandre Ferreira se recusa a sentar com os trabalhadores. É por essa razão que o Sindicato decidiu entrar com o pedido de dissídio (leia mais na Página 4A). A paralisação está afetando diversas áreas da administração ao longo da semana, principalmente a Saúde e a Educação, prejudicando justamente aqueles que mais dependem dos serviços essenciais prestados pelo Poder Público ao deixa alunos do ensino fundamental sem aulas — ou atendidos por quem não tem habilitação. Fechar ou restringir o atendimento das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) é ignorar os direitos de quem deu um mandato de quatro anos ao prefeito e, com o dinheiro de seus impostos, garante o funcionamento de toda a máquina administrativa, inclusive o salário de prefeito, vereadores e servidores (concursados ou não).
 
A omissão de Alexandre, em mais este caso, prejudica qualquer possibilidade de que seu governo faça valer a máxima da democracia. Nos últimos anos, Franca se acostumou a acompanhar desmandos, truculência, decisões unilaterais e ilegalidades que vêm sendo apontadas pelo Ministério Público. Ao prefeito não interessa atender aos interesses da maioria. Mais uma vez se coloca como um autocrata que só tem uma visão — a dele —, sem se preocupar com as consequências de seu ato, ou melhor, falta de ação. 
 
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