A rua Alberto de Azevedo, na Vila Santos Dumont, parou na manhã de ontem. Viaturas do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar cercaram uma das residências. No interior, um ajudante desempregado, de 25 anos, mantinha a avó, de 65 anos, em cárcere privado. Ele jogou álcool no interior do imóvel, ameaçou atear fogo e se matar se algumas “exigências” não fossem atendidas. Com a chegada de familiares e de profissionais da imprensa, o acusado aceitou as negociações impostas por policias militares, deixou a idosa sair e se entregou. Ele foi preso em flagrante na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher).
A PM foi comunicada sobre uma possível desinteligência familiar por volta das 10h30. Chegando ao local, a primeira guarnição se deparou com o acusado mantendo a própria avó, com quem reside, presa no interior do imóvel. Ele jogou álcool combustível na cozinha e ameaçou atear fogo. Diante da iminência de um possível incêndio, os policiais solicitaram a presença da unidade do Corpo de Bombeiros e apoio de outras viaturas. O aspirante a oficial PM Aruan Baccaro assumiu as negociações. Os primeiros policiais que mantiveram diálogo com o acusado, declararam que ele aparentava estar “psicologicamente perturbado”.
“Ocorreu uma desordem por circunstâncias familiares. O autor jogou álcool na cozinha e fez ameaças caso certas exigências não fossem cumpridas”, disse o aspirante. A prisão de um membro da família que ele afirmava ser cúmplice de crimes, questões financeiras pendentes e familiares foram alguns dos pontos tocados pelo autor nas negociações para, segundo o aspirante, não atear fogo no local.
As conversas duraram cerca de meia hora. Com a chegada de parentes e profissionais da imprensa, o ajudante desempregado aceitou liberar a avó. “Eu acreditei que ele fosse cumprir as ameaças. Fiquei com muito medo”, disse a vítima do próprio neto. Minutos depois, o acusado deixou o local e se entregou. Conduzido ao Pronto Socorro Municipal Doutor Álvaro Azzuz, ele foi atendido, medicado e liberado.
O caso foi apresentado na DDM. A vítima de 65 anos, o neto desempregado e os policiais que participaram da ocorrência foram ouvidos. Diante dos fatos, a delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio determinou a elaboração dos autos de prisão em flagrante. O rapaz foi autuado por cárcere privado e ameaça. Ele foi para a cadeia do Guanabara.
Carta apreendida
Na revista realizada no imóvel, policiais militares localizaram uma carta. Nela o desempregado acusava o pai de estar envolvido com o tráfico internacional de entorpecentes junto com policiais civis. Ele citou nomes que não foram divulgados. O manuscrito em folha de papel de caderno escolar com “dizeres a esclarecer”, foi apreendido para perícia junto ao IC (Instituto de Criminalística) e apuração.
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